As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 31/10/2018

Ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig, fascinado pelo potencial da nação, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a dificuldade da inserção de jovens no mercado de trabalho no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental referente ao ensino e a inexperiência juvenil, bem como a necessidade de políticas públicas para solucionar o impasse.

Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Isso ocorre porque o ensino nas instituições educacionais é precário e pouco prepara os estudantes para o mercado de trabalho, visto que nas escolas o ensino é de baixa qualidade e são escassos os cursos de qualificação profissional, e nas universidades o acadêmico sai com o diploma, mas sem a convicção de que aprendeu algo relevante na sua trajetória acadêmica, por causa do ensino deficitário. Dessa forma, o jovem ao sair em busca de uma oportunidade de trabalho se depara com tais dificuldades, uma pedra no meio do caminho, parafraseando Carlos Drummond de Andrade.

Outrossim, a falta de experiência profissional dos jovens dá impulso ao desemprego de tal público. Isso acontece porque as empresas preferem um trabalhador mais experiente, que é mais velho, para contratar ou para permanecer no emprego, com o fito de aumentar sua produtividade. Dessa forma, o número de jovens desempregados tende a aumentar, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, em 2017, cerca de 1 em cada 3 brasileiros de 15 a 24 anos estavam em busca de uma ocupação, a maior taxa em 27 anos.

Urge, portanto, medidas governamentais para mitigar as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Destarte, o Ministério da Educação deve investir em melhor capacitação profissional dos estudantes, por meio de um maior investimento em cursos técnicos nas escolas e uma intensificação no ensino das universidades, em parcerias com empresas, a fim de preparar o aluno adequadamente para o mercado.  Ademais, o Ministério do Trabalho e Emprego deve oferecer editais para contratação de jovens em instituições públicas, que trabalhem sob a supervisão de um funcionário efetivo e experiente, transmitindo-lhes dicas e conhecimento, além de, ao final da preparação, palestras e dicas de empregos devem ser ministradas por pedagogos, para possibilitar maiores chances de contratação. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.