As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 04/02/2019
Em “20.000 Léguas Submarinas”, Júlio Verne, há mais de cem anos, vislumbrara uma sociedade moderna imersa na evolução e no otimismo. Contemporaneamente, no Brasil, as expectativas do autor não foram totalmente consubstanciadas, haja vista que a desigualdade de oportunidades ainda se apresenta como um desafio para o ingresso de jovens no mercado de trabalho. Dessa maneira, cabe debater o papel do Estado e a influência do capitalismo nessa conjuntura.
Diante desse cenário, o descaso estatal no que se refere à qualificação profissional da juventude brasileira está diretamente relacionado à dificuldade de inserção desses indivíduos no meio trabalhista. Isso porque, segundo o escritor Simon Schwartzman, o Governo apropria-se de sua função pública para satisfazer interesses privados, secundarizando demandas da população. Nesse sentido, os indivíduos que não conseguem pagar por uma capacitação são marginalizados pelas empresas, o que fomenta a desigualdade social e cria um cenário de exclusão. Dessa forma, é imprescindível uma intervenção do Estado.
Outrossim, o filósofo alemão Jürgen Habermas, em seu livro “A inclusão do outro”, afirma que incluir e amparar a todos os cidadãos deve ser compreendido como uma necessidade ética, uma prerrogativa para o bom convívio social. Indubitavelmente, a segregação laboral estabelecida pelas empresas, no país, vai de encontro à ideia de Habermas, o que torna cada vez mais difícil para o jovem ingressar no mercado de trabalho. Nessse âmbito, a exigência de especialização - instaurada pelo fortalecimento do capitalismo no Brasil -, até mesmo de adolescentes, tem como produto a pequena quantidade de vagas de emprego para aqueles que buscam a primeira experiência e que não tiveram acesso a cursos capacitadores. Tal panorama fortalece a desigualdade de oportunidades, o que necessita de uma mudança.
Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para potencializar a entrada de jovens no mercado de trabalho. Essa ação deve ser concretizada por meio da criação, pelo Governo, de um programa de qualificação profissional de adolescentes que vivem em áreas carentes do país, visando a capacitação desses indivíduos e a universalização do ensino. Além disso, isenções fiscais devem ser concebidas a empresas que destinem 15% das vagas de emprego a jovens sem experiência, para que assim a desigualdade seja atenuada e o futuro do país possa se aproximar das ideias propostas por Júlio Verne.