As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 18/03/2019

O Brasil, país emergente com elevada população economicamente ativa, cuida pouco daqueles que são essenciais para a movimentação da economia. Isso é evidente ao verificar o grande número de jovens que não estudam, nem trabalham aqui. É preciso, portanto, discutir mecanismos de resolução dos entraves que permeiam tal situação, como a pobreza e a discriminação de gênero.

É primordial ressaltar que para que tal adversidade seja solucionada, é preciso se atentar a consequências relacionadas à pobreza. De acordo com análise feita em 2018 pelas economistas do Banco Mundial, Ana Luiza Machado e Mirian Muller, o jovem brasileiro pobre possui dificuldades em buscar caminhos para inserção no mercado de trabalho e desenvolvimento educacional, pela falta de resiliência. Tal característica não é desenvolvida pela persistência estrutural inerente a essa classe social, permeada por desamparo familiar, instabilidade emocional, essenciais para a persistência no processo de desenvolvimento adequado do jovem. Logo, faz-se urgente ações governamentais que visem amenizar tais efeitos, por meio de políticas de apoio a essa faixa etária dessa conjuntura social..

Deve-se abordar, ainda, que para que tal entrave seja sanado, é importante observar como a desigualdade de gênero interfere nessa conjuntura. Isso é notório em aglomerados de capitais brasileiras, cujo censo realizado pelas pesquisadoras da UNESCO, Mary Castro e Miriam Abramovay, demonstrou que 65 por cento das jovens residentes nesses ambientes não estudam, nem trabalham, em contraste com os 30 por cento de juvenis do sexo masculino. Isso ocorre porque há um preconceito arraigado das empregadoras para com jovens mulheres, especialmente com as que possuem filhos, o que impede a entrada dessas para o mercado de trabalho. Então, cabe atitudes governamentais para reduzir esse impasse, a partir de estímulos às empresas para contratar esse grupo social, bem como estruturas que auxiliem jovens mães, como a implantação de creches.

Fica claro, dessa forma, que é essencial solucionar os impasses para que essa parcela populacional tenha acesso aos direitos de estudar e trabalhar. Para tanto, é preciso que o governo, por meio da instituição de políticas de parceria entre Ministério da Educação e escolas de periferias, crie uma equipe composta por psicólogos e pedagogos, para que esses atendam e acompanhem jovens e suas famílias, de modo a ampará-los e auxiliá-los no processo de desenvolvimento de habilidades emocionais e de planejamento de futuro de curto, médio e longo prazo. Cabe a esse, ainda, o auxílio às jovens, especialmente para aquelas com filhos, por intermédio de acordos que estimulem a empregabilidade das próprias e a partir da construção de creches.