As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 01/05/2019

Segundo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes interligadas. Sob esse ângulo, a conjuntura brasileira estaria ‘‘doente’’, uma vez que enfrenta problemas para capacitar e encaixar os jovens no mercado de trabalho e, por conseguinte, no corpo social. Nesse contexto, é substancial que tais barreiras sejam superadas para que uma unificação social seja alcançada.

Em primeiro estudo, torna-se relevante uma análise da estrutura educacional e como se dá o processo de aprendizado. Sabe-se que o ensino público brasileiro é altamente desqualificado e incompetente no que tange a formação acadêmica dos cidadãos. Em consequência disso, fragilidades são carregadas para a vida adulta impedindo que o indivíduo posicione-se com êxito no mercado de trabalho, de acordo com o IPEA, em 2017, 57% dos jovens entre 15 e 24 anos estavam desempregados há um ano. Além disso, a estrutura curricular recente não condiz com as exigências do mercado atual, que é diretamente influenciado pela globalização. Logo, noções de empreendedorismo e informática são pré-requisitos básicos para que um jovem tenha um bom desempenho de suas funções, porém, tais estímulos não são notórios no quadro educacional tupiniquim.

Outrossim, há um forte preconceito enraizado em torno da contratação de jovens, pela falta de experiência e por causa de um possível gasto para habilitá-lo a exercer determinado cargo. Com isso, há desmotivação entre aqueles que procuram o primeiro trabalho, seja informal ou após a graduação, no caso formal. Atualmente, as universidades brasileiras não capacitam os alunos para a verdadeira realidade do mundo corporativo, não simulando de forma eficaz o ambiente que os espera, frustrando-os. Como também, as empresas não veem grandes vantagens na contratação de estagiários, visto que não recebem nenhum tipo de auxílio governamental nesse processo, causando um distanciamento entre cursos superiores e potenciais contratantes. De certo, uma alternativa viável para amenizar esse quadro seria o incentivo das universidades a criação de empresas juniores, o que de fato auxiliaria na formação dos jovens para integrar o grupo da população economicamente ativa.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, o MEC deverá alterar a matriz curricular brasileira conforme as exigências do novo mercado de trabalho, adicionando disciplinas como empreendedorismo. Tal mudança será imprescindível na formação de jovens antenados e garantirá a coletividade do corpo social. Bem como, o Superministério da Cidadania, responsável pela pasta trabalhista, deverá  beneficiar com isenções fiscais empresas que contratarem aprendizes. Tomando-se tais medidas será possível corrigir as mazelas do corpo biológico de Durkheim.