As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 25/04/2019

" A pior pobreza é não dar oportunidade a quem tem talento. Jorge Amado, escritor brasileiro, já em sua época, afirmava uma informação importante: a falta de valorização aos indivíduos. Na contemporaneidade, esse fenômeno não é diferente, uma vez que está presente no mercado de trabalho brasileiro, mormente ligado aos jovens, o que representa, assim, um desafio a ser enfrentado. Dessa forma, é necessário avaliar os impasses desse cenário, que interferem na busca do primeiro emprego, para, então, solucioná-las.

De início, cabe salientar que o precoce abandono escolar prejudica a entrada no mercado de trabalho. Sabe-se que os paradigmas do modelo pós-fordista somado ao ideal capitalista presente no âmbito laboral, exigem cada vez mais mão de obra qualificada, polivalente e fluência em mais de uma língua estrangeira. Por conseguinte, os jovens de baixa escolaridade são os mais afetados, especialmente aqueles que abandonaram os estudos para complementar o orçamento familiar, uma vez que não atendem as exigências do concorrente mercado de trabalho. Logo, a formação educacional está, diretamente, relacionada as chances de ascensão profissional.

É notório, ainda, que em virtude das reduzidas oportunidades oferecidas aos jovens sem experiência, programas como o Jovem Aprendiz ganham destaque. Observa-se, que propostas como essa, visam a capacitação de pessoas entre 14 e 24 anos (com ou sem deficiência, matriculadas em instituições de ensino), através da oferta de vagas em empresas filiadas à plataforma. Todavia, de acordo com a Relação Anual de Informação Social - RAIS - o número de contratados de aprendizagem, no Brasil, representa apenas 27% do seu potencial total. Assim, a necessidade de ampliação desse projeto é importante para assegurar maior inclusão profissional.

Fica claro, portanto, que as dificuldades dos jovens no mercado de trabalho requerem ações efetivas para serem resolvidas. Nesse sentido, o Governo Federal deve promover melhores condições ao ensino público, por meio do Ministério da Educação, com incentivos para a permanência do aluno de baixa renda na escola, através de bolsas de estudos e projetos extracurriculares, como as oficinas de música, esporte e teatro. Além da ampliação também do Jovem Aprendiz atrelado aos cursos profissionalizantes, como o Senai e Senac, a fim de qualificar os jovens para o seu primeiro emprego. Espera-se, com isso, reconhecer e valorizar o papel do jovem na sociedade, suplantando a perspectiva do Jorge Amado ao enriquecer o talento de todos.