As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 04/05/2019
O Programa ‘‘Jovem Aprendiz’’, instituído por meio da Lei da Aprendizagem, é um mecanismo que visa proporcionar ao jovem uma inserção mais rápida em ocupações formais. Desse modo, mediante a obrigatoriedade de empresas de médio e grande porte a ter pessoas de 14 a 24 anos em seu quadro de funcionários, a lei procura ajudar na primeira experiência profissional. Entretanto, apesar desse avanço, as dificuldades de ingresso dos jovens no mercado de trabalho no Brasil persistem e levam a sociedade a refletir sobre os desafios da questão. Nesse contexto, deve-se analisar como a má conjuntura econômica e a falta de capacitação fornecida pelo Estado colaboram para tal problemática.
Primeiramente, é válido ressaltar a má situação econômica do Brasil como a principal responsável pela dificuldade dos adolescentes e jovens adultos de ingressarem no mercado de trabalho. Isso acontece porque como efeito da recessão da economia, grandes empresas potencialmente geradoras de empregos para jovens limitaram-se a reduzir ou até mesmo a congelar suas contratações. Em decorrência dessa retração, o jovem, muitas vezes, deixa de adentrar um posto de trabalho e, consequentemente, entra para as estatísticas de desemprego em sua faixa etária. Não é à toa que, segundo dados publicados na ‘‘Carta Capital’’ em maio de 2018, 30% das pessoas entre 15 e 24 anos, no Brasil, buscam atualmente uma ocupação.
Além disso, a ausência de meios de profissionalização propiciados pelo Governo também é parte responsável pela dificuldade empregatícia dos jovens. Isso decorre da lamentável postura da administração pública brasileira, que ignora a necessidade de lapidação desse público para atender aos requisitos exigidos pelas organizações. Dessa forma, apesar de hoje existir no país escolas públicas técnicas e profissionalizantes, por exemplo, o número dessas instituições - ao considerar a demanda da juventude nacional - ainda é baixo e não atende a todos de modo proporcional. Por consequência de tal omissão estatal para com a especialização, grande parte dos jovens sai do ensino médio sem habilidades e conhecimentos técnicos necessários para conquistar uma vaga de trabalho.
Faz-se evidente, portanto, que ações devem ser tomadas para facilitar a entrada de jovens no mercado. Em razão disso, o Ministério da Fazenda deve, a fim de incentivar a empregabilidade em um cenário de crise econômica, oferecer incentivos fiscais, por meio do abatimento de impostos estaduais e federais, às empresas que tenham programas de captação de mão de obra jovem. Ademais, o Ministério da Educação deve aumentar os repasses destinados à construção de escolas profissionalizantes nos Estados, com o objetivo de cobrir a alta carência de capacitação na juventude. Assim, o jovem brasileiro finalmente poderá adentrar com sucesso o mercado de trabalho.