As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 16/05/2019

Sob a ótica das máximas descritas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, infere-se como norte ideal o direito de todos os indivíduos ao bem-estar social. Contudo, haja vista as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, sobremodo no Brasil, afere-se o quão distante este país se encontra de uma realidade em que a referida garantia possua expressão total. De tal sorte, para mudar esse quadro, é preciso ponderar sobre duas coisas: uma é a falta de maturidade emocional de alguns jovens; a outra é a negligência governamental.

Cabe ressaltar, a princípio, que a imaturidade emotiva de parte da juventude brasileira, nos idos de hoje, é fator determinante para a existência do entrave em questão. Afinal de contas, é racional a percepção de que o jovem desmunido de uma mínima capacidade de autocontrole não angariará um contratante. Desse modo, a compreensão de que esse aspecto surge por conta da inexistência de uma parceria eficaz entre as famílias e as escolas é indispensável. Isso porque é a partir dessa união que se formam pessoas aptas psicologicamente à todos os âmbitos sociais. Nesse sentido, pois, o educador Mário Cortella fundamenta a importância do cunho familiar na constituição do pleno cidadão ao afirmar que educar não é apenas escolarizar.

Outrossim, o desprezo do Governo Nacional também se configura como causa do obstáculo em análise. Tal afirmação encontra respaldo no fato de que a barreira inicial enfrentada pelo jovem que nunca trabalhou poderia ser derrubada por um maior investimento estatal nos programas de inclusão social - como o Jovem Aprendiz. Nesse cenário, caracteriza-se uma injustiça que ameaça toda a sociedade, uma vez que, consoante Martin Luther King, ativista estadunidense, uma injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar.

Pode-se dizer, portanto, que os pontos supracitados alicerçam o óbice em comento, devendo, por fim, serem superados.Para tanto, primeiramente, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) busque romper com a deficitária qualidade emocional da população jovial, por meio da inserção, no calendário escolar, de dias voltados ao diálogo entre responsáveis, corpo docente e alunos, para instigar às crianças ao desenvolvimento de suas competências psicoemocionais. Em segundo lugar, o Governo Federal deve sucumbir sua postura negligente, por intermédio de maiores investimentos em programas - já existentes - que visem facilitar o ingresso do jovem sem experiência no mercado de trabalho, a fim de destruir a barreira inicial analisada. Assim sendo, atender-se-á ao setentrional ideal que emerge da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o que, por sua vez culminará na ordem e no progresso inscritos na bandeira do país.