As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 16/05/2019
Jurgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, distingue o agir instrumental do agir comunicativo e quando o primeiro se sobressai sobre o segundo, as ações humanas passam a orientar-se pela competição, pelo individualismo e pela busca do rendimento. Diante disso, observa-se, na atual conjuntura brasileira, que as dificuldades dos jovens em ingressarem no mercado de trabalho é um problema que afeta a sociedade, visto que as empresas optam por empregar indivíduos experientes visando manter a produtividade.
Após as Revoluções Industriais, houve o fortalecimento do capitalismo e, com isso, a busca pelo lucro tornou-se ainda mais incessante. Aliados a essa perspectiva, diversas companhias empregatícias tencionam preservar e melhorar o ritmo da produtividade e, consequentemente, aumentar o lucro. Para alcançar esse objetivo, tais instituições optam por trabalhadores que já possuem experiência, agravando a situação dos jovens inexperientes em ingressarem no mercado de trabalho.
Deste contexto, depreendem-se consequências no âmbito social, tais como, com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a elevação do índice do trabalho informal, pois esse tipo de emprego torna-se uma saída para esses adolescentes, o que resulta, de modo mais amplo, na diminuição de arrecadação de impostos para os cofres públicos e no fato de que esse jovem, por não possuir vínculos que lhe asseguram os direitos trabalhistas, corre o risco de, no futuro, não contar com sua aposentadoria.
Feita essa análise, fica evidente que são necessárias ações promotoras de transformações. Para tanto, o Estado, como gestor administrativo, aliado ao Ministério da Educação, deve investir em escolas, como os Institutos Federais, que propiciam ao adolescente conciliar o ensino médio com um curso profissionalizante. Ademais, é imprescindível que tais instituições de ensino exijam dos estudantes uma carga mínima de horas de estágio no curso escolhido para que, desse modo, o discente possa obter experiência antes de ingressar no mercado de trabalho. Somente assim, será possível conciliar a reflexão de Habermas com os interesses capitalistas.