As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 20/05/2019
A “Teoria da Decolagem”, do Governo Juscelino Kubitschek, propunha as estratégias a serem adotadas para alcançar o desenvolvimento do Brasil. Hodiernamente, esse objetivo é mantido, não obstante, a incapacidade da sociedade brasileira combater a alta taxa de desemprego entre a população jovem, posterga tal meta. Nessa contexto, é válido analisar como os fatores socioeconômicos e a inércia pública contribuem para a perpetuação dessa problemática.
A princípio, é inconcebível que a vulnerabilidade financeira impacta negativamente a qualificação profissional desse segmento social. Com efeito, a necessidade de trabalhar para complementar a renda da família, leva muitos jovens a abandonarem os estudos, o que traz prejuízos para a sua carreira, visto que, com mercado de trabalho altamente competitivo, a exigência de capacitação constante mostra-se imprescindível para quem almeja manter o emprego. Comprova-se isso pelas pesquisas do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que demostram um maior percentual de desemprego entre pessoas com baixa escolaridade. Desse modo, é fundamental buscar caminhos para reverter esse cenário pessimista.
De outra parte, a inoperância governamental contribui para a permanência desse quadro. A esse respeito, Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade Líquida”, utiliza-se do conceito de “Instituição Zumbi” para criticar a perda da função social do Estado na pós-modernidade. Sob esse viés, ao observar a inaptidão política no enfrentamento da atual crise econômica ratifica-se o pensamento do sociólogo polonês, na medida em que a dificuldade de diálogo entre o Executivo e o Legislativo impedem a implementação de medidas, como a Reforma da Previdência, para a amenização do alto índice de desemprego, que esvaziam as chances de perspectivas da juventude brasileira. Sendo assim, é inconcebível que um país com projeto desenvolvimentista relegue a um plano subalterno a geração de postos de trabalho.
Urge, portanto, a necessidade de ações que minimizem os entraves do ingresso da parcela mais nova no mercado de trabalho. Para a garantia do pleno emprego, cabe ao Poder Executivo Federal, em cooperação com o Congresso Nacional, aprovar projetos que possibilitem a recuperação econômica, como a Reforma da Previdência, por meio de alterações legislativas, que possibilitem o aumento das vagas. Paralelamente, as Gestões Estaduais e Municipais devem combater a evasão escolar, a partir da realização de parcerias pública-privadas com empresas para a fomentação da Lei da Aprendizagem, com incentivo a programas de estágios remunerados. Almeja-se, assim, alcançar a “decolagem” rumo à posição de país desenvolvido.