As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 19/05/2019
Na mitologia grega, Sísifo, um mortal considerado rebelde, foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, sendo que essa sempre caia, e ele precisava recomeçar tudo novamente. Análogo ao mito, pode-se considerar o esforço dos jovens brasileiros para conseguir emprego, um " tra-
-balho de Sísifo “, uma vez que exige um empenho que muitas vezes não é recompensado. Dessa forma, é de fundamental importância uma análise acerca de como o modelo educacional vigente se relaciona com a dificuldade desses indivíduos de ingressarem no mercado de trabalho, das consequências para a sociedade e de uma possível solução da problemática.
Em primeiro plano, de acordo com o pensador Lev Vygotsky, a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social dos alunos. Contudo, o ensino brasileiro, frequentemente, não oferece uma formação acadêmica de acordo com a demanda do mercado de trabalho, fato corroborado por dados divulgados pelo MEC, os quais afirmam que 48% das escolas públicas não possuem computadores para os estudantes, apesar de ser notório que, hoje, muitos empregos exigem o conhecimento tecnológico. Dessa maneira, os jovens terminam os estudos sem uma qualificação para ingressar no mundo laboral, o que aumenta os índices da população " nem-nem”, que não estudam e nem trabalham, afetando a qualidade de vida desses indivíduos e a economia do país.
Concomitantemente, à questão da mão de obra desqualificada, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a chance de um jovem conseguir o primeiro emprego é 70% menor que a de um adulto, pode-se observar, então, que mesmo com uma qualificação e um conhecimento tecnológico, a falta de experiencia pode custar a vaga do aprendiz. Cenários como esse propiciam, além do desgaste emocional dos indivíduos, o aumento do trabalho informal e da criminalidade, vistos como uma alternativa à falta de emprego e de perspectiva. Verifica-se, portanto, os impactos do desemprego juvenil na sociedade.
Dado o exposto, conclui-se que são necessárias medidas capazes de mitigar essa situação. Para tanto, é preciso que a União forneça verbas para as escolas públicas adquirirem computadores para os estudantes e o MEC torne obrigatório ( e fiscalize com frequência ) o ensino de informática com professores qualificados, em todas as séries, para que por meios dessas aulas, os alunos desenvolvam habilidades tecnológicas exigidas pelo mercado de trabalho. Somado a isso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) deve oferecer contratação de jovens, em instituições públicas, para que trabalhem com remuneração e com supervisão de um funcionário mais experiente, que lhe passe esse conhecimento. Assim, teremos os jovens livres do " trabalho de Sísifo" e aptos a engajarem à sociedade.