As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 14/05/2019
“Trabalhador brasileiro… Está na luta, no corre-corre do dia a dia…” Os versos da música de Seu Jorge sinalizam o esforço diário dos que buscam no trabalho o meio para seu sustento. No entanto, a dificuldade pode agigantar-se para os desempregados, especialmente os jovens, os quais ainda enfrentam barreiras para alcançarem o primeiro cargo profissional. Para que a vitalidade e a capacidade juvenis não sejam desperdiçadas, faz-se necessário uma análise das causas desse cenário e das perceptíveis modificações no mercado de trabalho.
Em primeiro plano, o alto número de jovens sem vínculo empregatício pode ser explicado por alguns fatores relevantes para as empresas. Nesse sentido, a falta de experiência e de preparo emocional eliminam candidatos mais novos em uma seleção, pois a melhor opção será aquela que oferecerá maior produtividade e confiança para o cargo. Sendo assim, sob a perspectiva do empregador, não é vantajoso dedicar tempo para que o novato aprenda a função, nem mesmo ter alguém volúvel e inseguro como funcionário. Não à toa, a maior vítima da última recessão brasileira foi a juventude entre 18 e 24 anos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2017.
De outra parte, as mudanças ocasionadas pelo avanço tecnológico têm exigido novas especialidades e reconfigurado o mercado. Por esse viés, uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial indica que a nascente quarta revolução industrial colocará em risco postos ligados à área de contabilidade e serviço a clientes, por exemplo, nos próximos anos. Em contrapartida, a integração tecnológica propiciará o surgimento de novas profissões relacionadas à inteligência artificial, como a automação e a robótica. Assim, acompanhar essas atuais e futuras transformações no mundo do trabalho é primordial a uma capacitação adequada às novas exigências e potencialmente atrativa para o empregador.
É imprescindível, portanto, que os jovens tornem-se mais aptos na conquista do primeiro emprego e tenham a chance de contribuir para o crescimento do estabelecimento ao qual prestarão serviços. Desse modo, as instituições de ensino básico devem incluir em seus currículos escolares atividades voltadas à orientação profissional por meio de feiras e workshops onde os alunos devem aprender como se comportar e se expressar em uma entrevista de emprego, incluindo o apoio de psicólogos. Además, esses eventos podem instruí-los sobre quais áreas profissionais serão mais promissoras futuramente a fim de que possam investir em capacitações livres do risco gerado pela inteligência artificial. Por esse caminho, então, será possível diminuir o índice de desemprego juvenil e mudar as expectativas do mercado sobre esse grupo, o que tende a ser vantajoso para ambos.