As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 20/05/2019
No governo de Getúlio Vargas, em 1943, houve a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas, que tinham como um dos objetivos permitir o acesso e o egresso dos cidadãos brasileiros no mercado de trabalho. No Brasil atual, porém, esse quadro não é encontrado, uma vez que a empregabilidade, sobretudo dos jovens, encontra obstáculos para se consolidar. Nesse contexto, cabe analisar as motivações dessa problemática, entre elas a exigência profissional e o despreparo educacional dos estudantes.
Em princípio, é importante compreender como empregar está cada vez mais seletivo. Nesse sentido, observa-se uma procura das empresas contratantes por empregados habilitados e já com experiência prévia. Além de promover uma segregação, essa prática contribui para dificultar o ingresso dos jovens, pois muito deles procuram o primeiro emprego e, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, esses indivíduos a priori possuem 64% menos chance de serem contratados em relação àqueles com experiência.
Ademais, é notório uma lacuna na educação brasileira em relação ao preparo para o mercado. Seguindo esse raciocínio, o filósofo Lev Vygotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social. Dessa forma, faz-se necessários eixos, como a capacitação profissional, serem desenvolvidos no ensino escolar. Em contraste, ações pedagógicas com esse afinco são timidamente produzidas nas salas de aula brasileiras. Assim, ao não formar estudantes capacitados para atuar no mercado, torna-se laboriosa a procura por emprego no país.
Infere-se, portanto, que há entraves para que seja possível uma maior taxa de empregabilidade entre a população jovem no Brasil. Para minimizar essa situação, o Ministério do Trabalho em conjunto com o Poder Legislativo deve, em primeiro lugar, implementar leis de cotas nas empresas, com o intuito de incluir a juventude e equiparar o processo seletivo com os profissionais experientes. Além disso, o Ministério da Educação deve investir na capacitação trabalhista desses jovens, acrescentando disciplinas, como gestão e logística, na grade da Base Nacional Comum Curricular do ensino escolar, para que desde cedo os estudantes possam se capacitar para o mercado. Dessa forma, o cenário de 1943 poderá novamente existir em território nacional.