As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 20/05/2019

Na música Dança do Desempregado, o compositor Gabriel O Pensador canta: “quem ainda não dançou tá na hora de aprender; amanhã o dançarino pode ser você”. A canção retrada o contexto atual do Brasil, onde as taxas de desemprego estão elevadas, atingindo entre os jovens o valor de 25,2%, de acordo com dados do Ipea. As dificuldades dos mais moços em adentrarem no mercado de trabalho encontram seu cerne no despreparo profissional e nas poucas oportunidades de emprego.

Convém mencionar, em primeira instância, como durante a vida escolar os cidadãos não são instruídos acerca da sua futura vida profissional. O enfoque da escola e até mesmo das faculdades está em passar os conteúdos cobrados nas provas e em medir o desempenho do aluno através dessas avaliações, deixando a formação para a vivência em sociedade está cada vez mais de lado. John Dewey defende a ideia de que os ensinamentos devem ser dados de forma prática, acoplados ao cotidiano. Dessa forma, os jovens seriam capazes de, por meio da orientação correta, se sair melhore em entrevistas de emprego e lidar com a pressão que os ambientes de trabalho infligem.

Deve-se abordar, ainda, a influência das escassas oportunidades nessa probemática. Em decorrência da crise econômica que o país passa, as vagas oferecidas são diminuídas e as existentes, cortadas. Os contratantes passam a priorizar os mais exprerientes em detrimento dos principiantes, e os jovens, que são em sua maioria recém-formados, tendem por ser desconsiderados. As pesquisas realizadas pelo Ipea indicam que a probabilidade de conseguir emprego para aqueles que nunca trabalharam após um ano desempregados é de 36% entre os 15 e 24 anos, e eles tem optado por ocupar cargos informais e que não dependem tanto de sua formação profissional.

Observa-se, portanto, que o quadro brasileiro não é favorável no que tange a participação juvenil no mercado de trabalho. Quanto a isso, é papel do Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias, a implantação de aulas de educação profissional nas escolas, visando ampliar a visão de mundo dos alunos, e, por meio de atividades com pedagogos e psicólogos, garantir as qualificações necessárias. Além do mais, cabe ao Estado, em seu papel de assegurar boas condições a todos os cidadãos, a concretização de políticas públicas e parcerias público-privadas que, mesmo em meio a períodos de recessão econômica, mantenham as oportunidades de emprego. Dessa maneira, caminhos para uma sociedade mais igualitária começarão a ser travados.