As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 18/05/2019

A afirmação de Nicholas Negroponte de que “tecnologia não se relaciona mais a computadores, relaciona-se a viver” se mostra cada vez mais atual, uma vez que o domínio sobre a linguagem digital é um dos principais requisitos das grandes empresas para a contratação de seus empregados. Dessa forma, é possível afirmar que a exclusão digital e a falta de experiência são grandes obstáculos para a ingressão de jovens no mercado de trabalho.

A priori, a exclusão digital é fator essencial para a dificuldade dos jovens em conseguir um emprego permanente. Conforme Pierre Lévy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos”; de maneira análoga ao pensamento do filósofo, assim como o surgimento da escrita dividiu a sociedade entre letrados e analfabetos, geralmente excluídos de movimentos como o Iluminismo – na Europa – e a Inconfidência Mineira – no Brasil –, a Terceira Revolução Industrial deu origem aos excluídos digitais, pessoas que se encontram à margem do sistema global devido à desigualdade no acesso às inovações. Dessa forma, uma vez que o mercado de trabalho globalizado exige trabalhadores cada vez mais flexíveis, qualificados e conhecedores da linguagem digital, os excluídos digitais encontram incontáveis dificuldades em conseguir um emprego com salários dignos no mercado formal.

Ademais, a inexperiência dos jovens também prejudica sua inserção no mercado de trabalho. As empresas têm preferência por trabalhadores mais experientes, conforme demonstra pesquisa realizada pela empresa argentina Trendsity que afirma que, para 77% dos jovens brasileiros, a falta de experiências anteriores é o maior obstáculo para que consigam seu primeiro emprego. Dessa forma, torna-se claro que há uma falta de confiança das empresas sobre os jovens buscando a primeira profissão, uma vez que estes exigem maior treinamento e, em geral, possuem menor produtividade pela inexperiência; além disso, também têm maiores chances de serem demitidos, tendo em vista que os empregadores preferem indivíduos com maior tempo dentro de sua empresa e que, consequentemente, conhecem o funcionamento dela.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o Ministério da Educação adicione a alfabetização digital ao currículo nacional e forneça subsídios às Prefeituras Municipais para que seja possível o acesso gratuito à Internet e a computadores nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, além da contratação de professores qualificados de informática, a fim de que os alunos aprendam desde cedo a dominar pouco a pouco os conhecimentos do mundo digital e, no futuro, sejam capazes de se adequar às constantes mudanças do mercado de trabalho.