As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 19/05/2019

“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma”- afirmava o escritor pré-modernista Monteiro Lobato a respeito da consciência individualista nacional. A evasão escolar em larga escala é o principal agente do desemprego entre jovens brasileiros, visto que o mercado exige cada vez mais qualificação profissional.

Nota-se que o desemprego juvenil está diretamente relacionado à evasão escolar. A situação econômica faz a educação ficar em segundo plano- mesmo com a Bolsa Família e Jovem Aprendiz, programas criados para diminuir a evasão escolar, não se mostra o suficiente. Consoante a canção “Quando o Pai Se Vai” de GOG, músico brasileiro, “Sem qualificação, não tem produtividade,/ Primeiro grau é diploma de imbecilidade/ Segundo grau perdeu a validade/ Tem que ter faculdade”. Assim como nos versos da canção nos dias atuais a comunidade jovem recebe uma menor qualificação, o que gera postos de trabalho a serem designados para pessoas mais velhas e mais experientes.

Ademais, é cabível enfatizar que para quem não tem perspectiva de cursar o Ensino Superior, a escola não oferece qualificação. Soma-se a isso, a oferta de mão de obra sem qualificação que- para quem só precisa sobreviver- é a opção mais lógica. De acordo com a música “Tô ouvindo alguém me chamar” de Racionais MC’s, “Pela janela da classe eu olhava lá fora./ A rua me atraía mais do que a escola”. Diante desse cenário, o jovem abandona a escola em busca de um emprego e se depara com um mercado instável: cada vez mais enxuto e que exige uma constante especialização do profissional.

Destarte, é indiscutível que existem obstáculos para inserir o jovem no mercado de trabalho e que precisam ser solucionados. Com verbas dos royalties do petróleo, os Ministérios da Educação e do Desenvolvimento podem aumentar o valor do assistencialismo do Bolsa Família e da Fazenda ampliar a margem de desconto para a concessão do Jovem Aprendiz, com o intuito de evitar a evasão escolar e consequentemente o desemprego juvenil. O Legislativo deve criar um Projeto de Lei alterando a atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) a fim de incluir no Ensino Médio cursos profissionalizantes, os quais teriam seu currículo unificado pelos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais). Desse modo, a escola ofereceria qualificação também para quem não pretende cursar universidades. Só assim os brasileiros aprenderão, também, a somar.