As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 08/05/2019

Na obra “Vidas secas”, o modernista Graciliano Ramos expõe, por meio da repulsa sofrida pelos personagens principais, quão ampla e complexa é a desigualdade no Brasil, provocada pela má distribuição de renda e emprego. Na contemporaneidade, mesmo com o avanço dos direitos trabalhistas, essa realidade se faz presente. Milhares de jovens são afastados da esfera econômica por não conseguirem nenhum tipo de emprego formal, graças às exigências exorbitantes das grandes e médias empresas, junto à omissão do poder público quanto ao caso.

De início, pode-se lembrar que exigências excessivas para contratação de jovens e adolescentes não são uma invenção do século XXI; durante o período regencial brasileiro, jovens de elite com porte físico idealizado eram ligados à polícia de segurança nacional, enquanto a classe proletária junto aos adolescentes com “porte físico inadequado” eram segregados do respectivo mercado. Na atualidade, essa cruel situação se repete em prol da esfera trabalhista que, hoje extremamente globalizada, exige experiência no mercado de trabalho, além de intimidade com os estudos e a tecnologia. Em contra partida, milhões  de jovens das classes C, D e E não têm acesso à educação de qualidade, logo, não conseguem emprego em prol da falta de experiência, assim, se veem à margem da esfera econômica.

Tem-se conhecimento que a constituição cidadã de 1988 garante estabilidade quanto aos direitos trabalhistas dos brasileiros, em contraposição, o governo não oferece os recursos necessários para a imersão do jovem periférico no ramo de atividades trabalhistas (como, por exemplo, educação básica e qualificação), obrigando-os a entrar no mercado informal para sobreviver. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os jovens foram as maiores vítimas da recessão econômica brasileira, visto que 75% dos nativos entre 18 e 24 anos estão desempregados. Esse dado alarmante concretiza a desigualdade social e econômica no país. Segundo o educador Paulo Freire, “Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando”, sob esse viés, pode-se dizer que o único caminho para a inserção do jovem brasileiro na esfera trabalhista é a  educação pública, gratuita e de qualidade, junto à compreensão e empatia dos empregadores.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Ministério da Educação deve pressionar o Governo Federal para que haja maior investimento na infraestrutura e educação dos colégios públicos, para que os mesmos ofereçam cursos profissionalizantes e pré-vestibular gratuitos, em prol da qualificação e preparação dos jovens para o mercado de trabalho. É imprescindível também que o Ministério da Justiça exija a diminuição dos requisitos para contratação de jovens até 25 anos em busca do primeiro emprego. Só assim o Brasil caminhará no sentido da igualdade social e econômica.