As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 13/05/2019

Com a terciarização da economia aliada à desvalorização da ciência no Brasil, houve uma redução de interesse pela qualificação da mão de obra pela perspectiva restringida da juventude. Dessa forma, muitos jovens ingressam em sub-empregos, sem projeções de carreiras ou de continuidade, devido às necessidades imediatas. Entretanto, essa escolha, que não oferece vantagens à longo prazo, é consequência grave de uma educação defasada e ausência de assistência social.

Em primeira instância, a instituição educacional é o pilar essencial na formação de cidadãos, trabalhadores e lideranças. Uma vez que o mercado de trabalho reage criticamente na escolha de jovens para postos de empregos, pode-se afirmar que a educação brasileira está sendo incapaz de oferecer oportunidades de profissionalização. Conforme aos ideais de Kant, filósofo iluminista, a educação é, de fato, peça central na formação de um indivíduo que, posteriormente, estruturará uma sociedade. Isto é, quando a educação fracassa em explorar habilidades, ensinar ofícios ou estimular o pensamento crítico, toda uma estrutura social pode estar sendo ameaçada, especialmente nas noções econômicas, que dependem de profissionais especializados e inovação científica.

Além disso, a falta de assistência social contribui para a evasão em escolas, sendo principal fator na alimentação do mercado informal e de sub-empregos por adolescentes. Consoante a hierarquização proposta por Maslow, psicólogo estadunidense, as necessidades fisiológicas são imediatas para qualquer ser humano. Por isso, há uma tendência lógica de que jovens em situações de vulnerabilidade social abandonem suas vidas acadêmicas, ainda na formação básica, para ajudar nos custos básicos familiares. Nesse sentido, a negligência governamental sustenta a conservação de uma sociedade com baixa mobilidade social em que estudantes desfavorecidos são socialmente forçados a ocupar cargos precários de baixa remuneração, alta rotatividade e chances de desemprego posterior.

Portanto, é imprescindível pensar em medidas plausíveis para não só fazer com que jovens ingressem no mercado de trabalho, como também contribuir para uma carreira saudável e possibilitar a inovação científica nacional. Assim, é dever do Ministério da Educação, em união ao Ministério da Ciência e Tecnologia, projetar maior acessibilidade para a qualificação da juventude brasileira. Para isso, é necessário ampliar o número de escolas técnicas e universidades pelo país, principalmente em áreas periféricas. Com uma formação profissional direcionada somada a um ensino médio de qualidade, os alunos de baixa renda precisam contar com auxílio estudantil para realizar suas necessidades primárias e aumentar as probabilidades de conclusão do curso. Finalmente e, só assim, a empregabilidade das próximas gerações de jovens estará garantida com segurança e amplas possibilidades.