As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 10/05/2019

Thomas Hobbes, autor de “Leviatã”, acreditava que a competitividade era um dos fatores que corrompiam o homem, tornando-o incapaz de viver no estado de natureza. Essa premissa se estende para a atual sociedade brasileira, na qual os jovens enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho devido a competição acirrada entre os profissionais do século XXI. Se por um lado, não possuem a maturidade exigida pelo campo laboral, por outro, dificilmente são prioridades de contratação das empresas.

A consciência da dificuldade e da disputa presentes no mercado de trabalho só é tomada quando o indivíduo, de fato, começa a procurar emprego. Até então, o jovem acredita que uma graduação  e um curso no exterior, por exemplo, são suficientes para um cargo alto e bem remunerado, e tem pressa para conseguir empregos excelentes. Nesse sentido, não compreendem que as carreiras profissionais são compostas por conquistas graduais. Sendo assim, os recém formados, não raro, recusam postos baixos em empresas conceituadas pois não tem a maturidade de enxergar que isso faz parte do processo de construção de sua carreira.

Além disso, muitas empresas e instituições priorizam empregar profissionais de mais idade aos mais jovens. Isso se deve não só pela compreensão de que as experiências e vivências do campo tornarão seu trabalho melhor executado, mas também, pela crença de que o capital cultural -termo cunhado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu- dos jovens é inferior ao dos mais velhos. Entretanto, desconsideram o fato de que são os profissionais nascidos nas últimas décadas que possuem conhecimento tecnológico, essencial para o funcionamento da empresa e seu alinhamento com as demais. Logo, as firmas deixam de contratar indivíduos com enorme potencial de crescimento e possibilidade de expandir seus negócios.

Entende-se, portanto, que mudanças são necessárias para diminuir as dificuldades encontradas pelos jovens no mercado de trabalho. No cenário brasileiro, o governo deve convocar a Assembleia Legislativa para a criação de uma lei que exija que as empresas tenham, pelo menos, 30% dos seus funcionários com menos de 30 anos de idade, com o intuito de diminuir as baixas oportunidades enfrentadas por eles devido as suas poucas experiências no mercado. Além disso, é de extrema importância que as universidades preparem os alunos técnica e psicologicamente para as dificuldades e problemas que estarão sujeitos a encontrar no mercado. Assim, o país estará caminhando de forma gradativa para oferecer aos jovens um futuro mais promissor.