As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 12/05/2019
Geração nem-nem: nem oportunidades e nem empregos
Inexperiência, preconceito, inaptidão. Diversas são as causas para a dificuldade da inserção dos jovens no mercado de trabalho atualmente. Ao longo do processo de ensino nas universidades e nas escolas, os alunos são preparados para serem repetidores de dados e não para criarem e seguirem seus métodos, intuições e debater suas ideias. Com efeito, esse panorama de desconstrução do mercado laboral, fruto da preocupação com as inovações do mercado de trabalho e da grande exigência de jovens com experiência, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.
Em primeira instância, sob a ótica social, a escolha de carreiras baseada em suas possíveis demandas futuras fomentam uma complexa realidade de frustração, haja vista que o mercado de trabalho está em constante mudança e as carreiras promissoras de hoje podem não ser as mesmas do futuro. Além disso, segundo o jornal El País, apenas 60% dos estudantes escolhem suas carreiras de acordo com suas aptidões, o que faz com que grande parte desses alunos abandonem seus cursos. Vale ressaltar, também, que a gênese desse processo sociológico fundamenta-se no modelo socioeconômico vigente, o qual não oferece vagas suficientes para os recém-graduandos.
Em segundo plano, a grande exigência sobre os candidatos motiva um cenário com altos índices de desemprego entre os jovens, cerca de 35% conforme pesquisas do jornal El País, visto que os empregadores exigem mais do que os graduados podem oferecer. Ademais essa conjuntura materializa com nitidez a concepção de “Fato Social” de Émillie Durkheim, cuja base teórica buscava compreender a ação coercitiva da sociedade sobre o indivíduo, nesse caso, acerca da carreira. Com isso, tal reflexão reaviva a problemática enfrentada atualmente, na qual essa grave situação na conquista de empregos entre os jovens ainda faz parte do contexto nacional.
Portanto, é perceptível que as inovações no mundo laboral e a alta exigência do mercado são desafios para os jovens no Brasil. Visto isso, a fim de garantir acentuada diminuição dessa problemática, cabe ao Governo Federal, via Ministério da Educação, por meio de políticas públicas, incluir na grade curricular do ensino médio, aulas de orientação e aptidão vocacional além de ampliar cursos profissionalizantes. Dessa maneira, construir-se-á gerações de jovens mais experientes e a reflexão de Émillie Durkheim deixará, aos poucos, de ser uma realidade no país.