As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 14/05/2019

Geração nem-nem: nem oportunidades e nem empregos

Inexperiência, preconceito, inaptidão. Diversos são os empecilhos para a inserção dos jovens no mercado de trabalho atualmente. Ao longo do processo de construção do ensino, formou-se um modelo no qual os alunos são preparados para serem repetidores de dados e não para atuarem em suas carreiras de forma inovadora e proativa. Com efeito, esse panorama de desconstrução da entrada do jovem no mercado de trabalho, fruto da preocupação com as inovações do mercado laboral e da grande exigência de jovens com experiência, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.

Em primeira instância, sob a ótica social, a escolha de profissões baseada em suas possíveis demandas futuras fomenta uma complexa realidade de frustração, haja vista que o mercado de trabalho está em constante mudança e as carreiras promissoras de hoje podem não ser as do futuro. Além disso, segundo o jornal El País apenas 60% dos estudantes escolhem suas carreiras de acordo com suas aptidões, o que gera um grande abandono dos cursos pela metade. Vale ressaltar, também, que a raiz desse processo sociológico fundamenta-se no modelo socioeconômico vigente, o qual não oferece oportunidades adequadas para os recém-graduados.

Em segundo plano, a grande exigência sobre os candidatos motiva um cenário com altos índices de desemprego entre os jovens, cerca de 35% conforme pesquisas do jornal El País, visto que os empregadores exigem uma experiência que recém-graduados não possuem. Ademais essa conjuntura materializa com nitidez a concepção de “Fato Social”, refletida por Émillie Durkheim, cuja base teórica buscava compreender a ação coercitiva da sociedade sobre o indivíduo, nesse caso, acerca de sua carreira. Com isso, tal reflexão reaviva a problemática enfrentada atualmente, na qual essa grave situação de conquista do primeiro emprego entre os jovens ainda se faz presente no país.

Portanto, é perceptível que as inovações no mundo laboral e a alta exigência do mercado de trabalho são desafios para os jovens no Brasil. Visto isso, a fim de garantir acentuada diminuição dessa problemática, cabe ao Governo Federal, via Ministério da Educação, por meio de políticas públicas, incluir na grade curricular do ensino médio, aulas de orientação e aptidão vocacional além de ampliar cursos profissionalizantes. Dessa maneira, construir-se-ão gerações de jovens mais experientes e a reflexão de Émillie Durkheim deixará, aos poucos, de ser uma realidade nacional.