As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 08/06/2019
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, o setor laboral das sociedades contemporâneas caracteriza-se pelo fenômeno da modernidade líquida, no qual há maior exigência de qualificação dos trabalhadores, contudo menores oportunidades de emprego. É nesse contexto de afunilamento das oportunidades que os jovens brasileiros enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, o que reflete a inadequação educacional brasileira para com as novas conjunturas empregatícias, bem como a ineficácia das políticas públicas de inclusão da juventude no segmento trabalhista do país.
Diante disso, é indubitável que a baixa qualidade do ensino público ofertado para a população brasileira esteja entre as causas dessas problemática. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os jovens somam boa parte (32%) da massa de desempregados no país, sendo a falta de qualificação profissional desses uma das principais razões dessa triste realidade. Nessa perspectiva, o ensino defasado oferecido frequentemente aos adolescentes na rede pública impossibilita-os de desenvolver habilidades exigidas pelo mercado empregatício, a exemplo do conhecimento das operações básicas de matemática e de outros idiomas, como o inglês. Isso, aliado à atual crise econômica nacional, contribui para que as empresas prefiram contratar pessoas mais experientes, dificultando a inserção juvenil no setor produtivo competitivo, como apontado por Bauman.
Outrossim, a ineficiência das políticas públicas que promovem a introdução laboral dos jovens agrava tal quadro. Para Aristóteles, a política deve ser usada de modo a garantir o equilíbrio no corpo social. No entanto, observa-se que tal ideal não é devidamente praticado pelos órgãos públicos brasileiros, haja vista que, a despeito a Lei do Aprendiz, que estimula a contratação de estudantes por empresas de médio e grande porte, somente um terço das vagas destinadas à juventude são preenchidas no país, segundo o Ministério do Trabalho. Tal realidade resulta da escassez de fiscalização pública das empresas, o que fere direitos garantidos e desequilibra o setor produtivo.
Dessa forma, urge que o Estado Brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem as dificuldades enfrentadas pelos jovens para ingressar no mercado de trabalho. Destarte, o Ministério da Educação deve promover a melhora do ensino público, especialmente nas comunidades carentes, por meio de planos de investimento de curto e médio prazo, da capacitação dos professores e de oficinas com especialistas nas escolas que desenvolvam nos estudantes as habilidades exigidas pelo mercado a fim de garantir a qualificação juvenil e seu desenvolvimento. Por fim, o Ministério da justiça e a sociedade civil organizada devem, mediante auditoriais e criação de plataformas como o E-social, fiscalizar de forma mais recorrente as empresas visando ao cumprimento da lei e à inclusão laboral dos jovens.