As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 02/08/2019

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. No que tange ao período atual, um mercado mais exigente e a valorização do soft skills, tem refreado a inserção dos jovens no mercado de trabalho, acarretando incertezas quanto a capacidade desses púberes em se adequar aos novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam constantemente. Tal cenário configura um grave problema social que deve ser solucionado.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar um mercado de trabalho cada vez mais enxuto que exige uma constante especialização do profissional. Segundo estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, a taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos atingiu 26,6%. Isso acontece porque muitos alunos saem do Ensino Médio sem ter contato com experiências profissionais, trazendo a tona uma pesquisa realizada pelo portal de carreiras Vagas.com com 682 jovens na busca do seu primeiro trabalho, onde 67% dos entrevistados disseram não possuir a experiência profissional exigida pelas empresas. À vista disso, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Em segundo lugar, as empresas procuram nos candidatos as famosas “soft skills”, ou seja, as competências relacionadas à capacidade do candidato de interagir com outras pessoas no local de trabalho. Na passagem do mundo sólido ao líquido, Zygmunt Bauman chama atenção para a liquefação de algumas formas sociais, entre elas, o trabalho e a própria identidade. Nesse sentido, a passagem do ambiente familiar para o mercado de trabalho, proporciona em muitos jovens uma situação de angústia, ansiedade constante e o medo líquido: temor do desemprego, de ficar para trás, de não se encaixar nesse novo mundo, que muda num ritmo hiperveloz e diante disso, a falta dessas competências nas entrevistas acabam funcionando como uma armadilha para os jovens na busca pela vaga de emprego.

Portanto, urge a necessidade de uma solução para tal problemática. Primeiramente, instituições públicas de controle do Poder Público devem, por meio de projetos sociais com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), oferecer editais para a contratação de jovens, que trabalharão por um período determinado nos órgãos públicos e nas empresas sob a supervisão de um funcionário efetivo e experiente, transmitindo-lhes dicas e conhecimentos. Além disso, ao final do processo de preparação, palestras e dicas para entrevistas de emprego podem ser ministradas por psicólogos e pedagogos, objetivando o “soft skills”, e com isso, ampliar as chances de contratação e possibilitar aos jovens um efetivo engajamento na sociedade. Só assim, os jovens solidificarão as capacidades esperadas e exigidas para confrontar a “modernidade líquida” do século XXI.