As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 02/08/2019

“Penso que estamos cegos, cegos que, vendo, não vêem”, as considerações finais da obra “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, retrata uma sociedade alheia aos diversos problemas sociais o que faz com que a reparação das problemáticas sejam utópicas. De maneira análoga, o livro pode ser contextualizado hodiernamente, uma vez que jovens encontram dificuldades para ingressarem no mercado de trabalho. Nesses termos, é imprescindível analisar essa mazela, seja por um contexto social, seja por um viés econômico.

Decerto, as instituições sociais contribuem para que os jovens permaneçam inertes no corpo social. Esse fato acontece porque a família e a maioria das escolas, principais despertadoras das vocações individuais, resumem o conhecimento apenas ao conteúdo teórico. Em decorrência disso, a folha curricular permanece sem experiências, assim como na teoria da Tabula Rasa, do filósofo Jonh Locke, o qual afirma que a folha em branco do indivíduo só é preenchida por meio da prática. Diante disso, muitas empresas não arriscam empregar pessoas sem a capacitação garantida, em vista de um mercado tão competitivo. Nessa óptica, pensar que a nação evoluirá diante dessa desordem estrutural é demonstrar ingenuidade.

Outrossim, compreende-se que os impasses para ingressar no mercado de trabalho fica ainda mais danoso quando se explicitam as sequelas advindas de uma perspectiva financeira. Exemplo disso é que muitos adolescentes estão a exercer atividades que não estimulam suas capacidades pessoais e, muitas vezes em condições salubres com o intuito de receber remuneração. Com isso, em um tipo de Darwinismo econômico, os jovens inseridos em famílias com poder aquisitivo são os que terão tempo e mais oportunidade para se capacitarem e no futuro oportunidades de trabalho mais abrangente. Logo, é preciso reparar no problema dissertado para que a coletividade não cegue, como a sociedade do livro de Saramago, e se encontre uma intervenção imediata.

Portanto, para objetivar " Ordem e Progresso" -lema nacional- é preciso minimizar, quiçá erradicar, os impasses para que dificultam a entrada dos jovens no mercado de trabalho. Com isso, é urgente que o Ministério Público destine mais recursos orçamentários para escolas de nível médio de capacitação técnica, pois terá a garantia do Estado que os jovens terão experiências ainda no ensino básico. Essa empreitada social será alcançada por intermédio de uma pauta no STF, proposta por líderes estudantis em assembleias participativas, com a finalidade de garantir maior equidade em relação às discrepâncias econômicas