As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 04/08/2019

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade liquida” vivida no século XXI. No que tange ao período atual, um mercado mais exigente e a valorização da “soft skills”, têm refreado a inserção dos jovens no mercado de trabalho, acarretando incertezas quanto à capacidade desses púberes em se adequar aos novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam constantemente. Tal cenário configura um grave problema social que deve ser solucionado.

Em primeiro lugar é importante ressaltar um mercado de trabalho cada vez mais enxuto que exige uma constante especialização do profissional. Segundo estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, a taxa de desemprego entre os jovens de 15 à 24 anos atingiu 26,6%, trazen-do à tona, uma população de jovens despreparada para o ramo trabalhista competitivo. Tal afirmação pode ser feita ao analisarmos a qualidade do ensino do país: as escolas não são preparadas para lidar com o tema trabalho. Os alunos saem do Ensino Médio sem ter contato com experiências que poderiam colaborar com a decisão sobre sua carreira como, por exemplo, palestras de profissionais de diversas áreas que poderiam direcioná-los profissionalmente. À vista disso, medidas devem ser tomadas.

Em segundo lugar, as empresas procuram nos candidatos as famosas “Soft skills”, ou seja, as competências relacionadas à capacidade do candidato de interagir com outras pessoas no local de trabalho. Na passagem do meio sólido ao líquido, Zygmunt Bauman chama  atenção para a liquefação de algumas formas sociais, entre elas, o trabalho e a própria identidade. Nesse sentido, a passagem do ambiente familiar para o mercado de trabalho, proporciona em muitos jovens uma situação de angústia, ansiedade constante e o medo líquido: temor do desemprego, de ficar para trás, de não se encaixar nesse novo mundo, que muda num ritmo hiperveloz e diante disso, a falta dessas competências nas entrevistas acabam funcionando como uma armadilha para os jovens na busca pela vaga de emprego.

Portanto, urge a necessidade de uma solução para tal problemática. Primeiramente, o Ministério da Educação deve, por meio de projetos de iniciação profissional junto ao Ministério do Trabalho e Empre-go (MTE), oferecer palestras para esses jovens na escolas, que os oriente sobre as profissões e sua competitividade do mercado de trabalho, direcionando-os no campo profissional. Além disso, ao final desse processo de preparação, palestras e dicas para entrevistas de emprego podem ser ministradas por psicólogos  e pedagogos, objetivando as “soft-skills”, e com isso, ampliar as chances de contra-tação e possibilitar aos jovens um efetivo engajamento na sociedade. Só assim, os jovens solidificarão as capacidades esperadas e exigidas para confrontar a “modernidade líquida” do século XXI.