As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 16/08/2019
Segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, o século XXI pode ser denominado como a época da sociedade do desempenho, na qual os sujeitos são constantemente cobrados a demonstrar o seu valor. De modo análogo, a inserção no mercado de trabalho durante a juventude requer múltiplas habilidades e técnicas para atender as expectativas dos contratantes. Nesse cenário, vale destacar o comportamento paradoxal do mercado, que exige a adequação entre a formação acadêmica e a experiência como fatores relevantes no momento da contratação.
Em primeira análise, sabe-se que a inclusão dos jovens ao mundo do trabalho é um dos grandes desafios da política de emprego nos dias atuais. Por certo, tem-se em evidência um público vulnerável que tende a ocupar cargos precários, o que pode ser agravado pela fragilidade na formação educacional de grande parte desse grupo. Nesse aspecto, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 30% da classe desempregada é composta por jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, com baixa escolaridade e renda precária, o que comprova o cenário em discussão. Com efeito, o desemprego fortalece um ciclo vicioso de pobreza e miséria, no qual esses jovens dificilmente conseguem rompê-lo para, enfim, conquistarem alguma mobilidade social.
Outrossim, mais um desafio encarado pelos jovens no momento de ingressarem ao mercado é a dificuldade em obter experiência, aspecto fortemente relacionado ao comportamento discrepante dos contratantes que exigem, além da escolaridade, inúmeras qualificações. Nesse sentido, observa-se que o cenário de crise econômica enfrentado pelo Brasil fez com que as empresas optassem aos trabalhadores mais experientes e com alta produtividade. Por conseguinte, segundo o Ipea, a taxa de desemprego total entre o grupo acima de 25 anos é menor que entre aqueles com menor idade, o que reflete a preferência das empresas contratantes em manterem seus trabalhadores mais qualificados em detrimento daqueles que buscam seu primeiro emprego.
Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. Logo, é necessário que o Ministério da Educação ofereça condições para a qualificação desse grupo por meio de melhorias na qualidade da educação, o que deverá ocorrer mediante investimentos financeiros nas escolas para o desenvolvimento de cursos profissionalizantes no contraturno das aulas, a fim de reduzir a fragilidade da formação educacional. Além disso, o Governo Federal deve promover programas de cooperação com as empresas voltados às políticas juvenis, com o intuito de incentivar a contratação de jovens para, enfim, reverter o atual quadro de desemprego e possibilitar um efetivo engajamento desse grupo à sociedade