As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 21/08/2019

Movimentos repetitivos, falta de inovação e pouca autonomia. Esse ambiente de trabalho, brilhantemente retratado pelo personagem de Charles Chaplin, em “Tempos Modernos”, guarda poucas semelhanças com o cenário hodierno, marcado pela dinamicidade e, consequentemente, pela dificuldade da inserção dos jovens no mercado de trabalho. Desde a dissonância entre a formação educacional e as exigências do ambiente profissional, até as dificuldades enfrentadas devido à pouca experiência, o desemprego é uma realidade marcante para essa parcela da população. Nesse sentido, indispensável o debate acerca de políticas públicas específicas para o enfrentamento dessa problemática.

Em primeiro lugar, é indubitável que as exigências e as funções desempenhadas nos postos de trabalho sofreram inúmeras alterações nas últimas décadas. Assim, com o surgimento e a difusão de aparatos tecnológicos, que exigem, muitas vezes, um conhecimento técnico específico, passou-se a exigir dos profissionais uma gama de competências antes inexistentes. Nesse diapasão, a formação educacional clássica, marcada por certa distância do conhecimento prático, apresenta-se deficiente no tocante a essas novas competências.

Em segunda análise, a pouca ou inexistente experiência profissional anterior fundamenta um arraigado preconceito, sendo apontado pelas empresas como elemento limitador no momento da contratação. Por conseguinte, essa realidade pode ser evidenciada quando se observa que o índice de desemprego entre jovens é quase três vezes superior ao constatado em outras faixas etárias, segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessa forma, as dificuldades de acesso ao primeiro emprego encontram guarida no âmbito da própria ausência de experiência, representando um preocupante paradoxo no tocante à falta de oportunidades profissionais.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de enfrentamento dos desafios suportados pela população jovem para a inserção no mercado de trabalho. Logo, urge que o Estado, através do Ministério da Educação, em ação conjunta com os conselhos profissionais, desenvolva cursos e programas de capacitação, em parceria com as empresas privadas, com o fito de desenvolver competências e técnicas específicas de cada ambiente organizacional. Ademais, é mister que se promova, por meio de incentivos fiscais, planos de fomento à contratação de pessoas com pouca ou nenhuma experiência laboral anterior, buscando mitigar o preconceito existente. Dessa maneira, o mercado de trabalho tornar-se-á um ambiente de oportunidade e inovação, ainda mais distante daquele retratado pelo personagem de Chaplin.