As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 18/10/2019

No auge da Terceira Revolução Industrial e sob a luz do capitalismo financeiro, o mercado de trabalho acompanha as transformações do meio técnico-científico-informacional, cada vez mais restrito e carente de capacitação e vivência. Como consequência, nota-se um impacto expressivo sobre a base da pirâmide etária, a qual concentra mais de um terço do índice de desemprego, esse que é estrutural. Nessa perspectiva, o baixo nível de qualificação, bem como a pouca experiência profissional caracterizam as principais dificuldades do ingresso de jovens no espaço laboral.

Em primeira instância, uma vez que os setores de produção e serviços estão cada vez mais robotizados e informatizados, a forte demanda por mão de obra altamente especializada sufoca aqueles cuja formação foi mais deficitária. Em análise, o sociólogo Zygmunt Bauman versa, em seu livro sobre as consequências humanas da globalização, acerca do fato de os mais pobres perecerem diante da plena capacitação e engajamento nos novos padrões, pois a hipossuficiência financeira e a necessidade precoce de prover o seu sustento agem como fator limitante na sua tentativa de inserção. Assim, tal conjuntura é retardante e insustentável para a nova população economicamente ativa, pois ficam à margem das oportunidades empregadoras.

Sob esse viés, soma-se à problemática o fato de essa nova massa de potenciais empregados não possuir experiência profissional, em oposição à tendência atual de recessão econômica, na qual é mais lucrativo para os empregadores agregar contingentes experientes. No tocante a isso, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontou, em 2018, que mais de dois terços dos novos postos de atuação oferecidos -principalmente no setor de vendas, o qual emprega mais jovens- requisitavam vivência mínima de dois anos. Dessa feita, torna-se cada vez mais difícil engajar os mais novos em seu primeiro emprego, ao validar o infeliz panorama de concentração do desemprego estrutural na base da pirâmide etária.

Infere-se, portanto, a necessidade de as dificuldades enfrentadas pelos iniciantes, na busca pelo primeiro emprego e no que tange à baixa qualificação e experiência,  serem mitigadas. Urge, para isso, uma atenção especial no aperfeiçoamento do programa Jovem Aprendiz; cabendo ao Governo Federal, enquanto instância máxima, associar-se ao, agora repartido, Ministério do Trabalho para viabilizar tal proposta. Ocorrerá, então, por meio da instituição de alíquotas mínimas de vagas transitórias a serem oferecidas pelas empresas, de acordo com seu porte, para pessoas de 18 a 30 anos; desse modo, as transformações advindas da atual era do capitalismo deixarão menos jovens à margem do setor laboral.