As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 30/09/2019

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, ele atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à problemática dos jovens que não trabalham e nem estudam, os chamados jovens nem-nem. Diante disso, é possível afirmar, que há muitas frustações e dificuldades que impedem esses indivíduos de superarem os desafios e, nesse contexto, tornam-se prementes medidas urgentes.

Em primeira análise, é lícito postular que os brasileiros fora da escola e do mercado de trabalho estão presos a barreiras relacionadas à pobreza e ao gênero. Com isso, pode-se dizer que há um público específico que enfrenta o problema, como mulheres grávidas devido a responsabilidade de cuidar do filho e também aqueles que abandonam o ensino médio, principalmente por não ser considerado atrativo. Consoante ao pensamento de Schopenhaur –filósofo alemão- de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo, é possível afirmar que, enquanto p problema não afetar a vida da população em geral, essa não dará importância, pois o obstáculo maior não é só a falta de oportunidades, mas também de incentivo.

Outrossim, é oportuno citar que esses jovens da “geração nem-nem”, muitas vezes , possuem educação básica insuficiente, com oportunidades educacionais desiguais. Logo, tendem a aderir trabalhos nos quais são sujeitos a condições em que os salários não condizem com a função exercida, os chamados “bicos”. Por conseguinte, além das dificuldades do dia a dia, seus futuros ficam comprometidos por não encontrarem uma alavanca na escola ou em um trabalho que garanta uma perspectiva promissora. Em vista disso, é válido ressaltar que medidas cabíveis sejam postas em prática para melhorar a situação desses jovens e mitigar as dificuldades enfrentadas por eles.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com empresas, disponibilizem cursos técnicos profissionalizantes com o objetivo de facilitar a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho. Ademais, as escolas, – responsáveis por estimular o pensamento crítico na população-, juntamente com o Ministério da Saúde, devem promover palestras com os alunos sobre educação sexual, desde cedo, com o intuito de evitar gravidez indesejada durante o período escolar. Por fim, há a necessidade da criação de políticas públicas que assegurem uma educação de qualidade e que envolva as competências necessárias para atuar em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Assim, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio.