As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 05/10/2019

Na obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More retrata uma ilha imaginária em que os cidadãos gozam da felicidade plena e da eficiente e harmoniosa estrutura social que rege o lugar, o qual é isento de problemas. Todavia, no cenário hodierno, a realidade é demasiadamente díspar do pregado pelo autor, principalmente por conta da instabilidade visualizada em meio ao grupo juvenil, que enfrenta diversas vicissitudes relacionadas à entrada no mercado corporativo. Tal conjuntura danosa para toda a comunidade de um país é amplificada pela formação deficitária de muitos jovens no quesito socioemocional e por pressões exteriores ao imaginário jovem, quesitos que devem ser superados.

Antes de tudo, é fato que a jornada do jovem do terceiro milênio rumo ao universo do trabalho diverge bastante da visualizada nos séculos anteriores. Nesse contexto, durante a 1° Revolução Industrial na Inglaterra, jovens desde a mais terna idade enfrentavam condições excruciantes para somar mais um corpo servil e braçal às indústrias e garantir, sem massivo esforço emocional ou racional, renda para as suas famílias. Na atualidade, porém, tal demanda tem sido alterada, posto que é cada vez mais exigido dos trabalhadores atualização e vigor cognitivo em detrimento do serviço apenas corporal. Nessa perspectiva, com o falho manejo das competências socioemocionais no currículo acadêmico da atual geração, jovens enfrentam o desemprego mesmo com robusta formação curricular, comprovando que a frágil bagagem psicoemotiva de muitos trava a inserção em corporações.

Ademais, além de lidar com a pressão natural ligada à decisão da profissão, a juventude contemporânea ainda convive com a supervalorização social destinada a algumas áreas consagradas pela tradição, como Medicina, Engenharia e Direito. Assim, conforme preconiza Michael Foucault em sua obra “Vigiar e Punir”, o homem, condicionado pelas normas sociais, lida com o enclausuramento. Nesse viés, jovens renunciam às próprias aptidões para satisfazer expectativas familiares e comunitárias, o que gera profissionais pouco proativos e que dificilmente persistem na busca por emprego e diante de impasses, condição danosa para quem almeja ingressar e evoluir em um ofício.

Portanto, para que a malha juvenil integre o atual mercado de trabalho, é fulcral que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, institua uma carga horária obrigatória em escolas e universidades para que sejam trabalhadas as competências socioemocionais, com o auxílio de pedagogos e psicólogos, a fim de formar indivíduos capazes de lidar com quaisquer adversidades, formando um perfil de interesse para futuros empregadores. Outrossim, é importante que as famílias apoiem seus filhos durante a escolha da carreira, por meio de conversas e trocas de experiências, com o intuito de alcançar a harmonia prevista por More a partir do livre-arbítrio juvenil na opção laboral.