As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 07/10/2019
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, ele atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se às frustações dos jovens que não trabalham e nem estudam, os chamados jovens nem-nem. Diante disso, é possível afirmar, que há dificuldades que impedem esses indivíduos de superarem os desafios e, nesse contexto, tornam-se prementes medidas urgentes.
Em primeira análise, é lícito postular que os brasileiros fora da escola e do mercado de trabalho estão presos a barreiras relacionadas à pobreza e ao gênero. Com isso, pode-se dizer que há um público específico que enfrenta o problema, como mulheres grávidas , devido a responsabilidade de cuidar do filho e também aqueles que abandonam o ensino médio, principalmente por não ser considerado atrativo. Em conformidade com Zygmunt Bauman, autor de Modernidade Líquida, é possível afirmar que os tempos são líquidos, pois mudam rapidamente e, assim, vem o medo de assumir responsabilidades, as quais aumentam a cada dia.
Outrossim, é oportuno citar que esses jovens da geração nem-nem, muitas vezes , possuem educação básica insuficiente, com oportunidades educacionais desiguais. Logo, tendem a aderir a trabalhos nos quais são sujeitos a condições em que os salários não condizem com a função exercida, os chamados “bicos”. Por conseguinte, além das dificuldades do dia a dia, seus futuros ficam comprometidos por não encontrarem uma alavanca na escola ou em um trabalho que garanta uma perspectiva promissora. Consoante ao pensamento de Schopenhaur –filósofo alemão- de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que, enquanto o problema não afetar a vida da população em geral, ela não dará importância, pois o obstáculo maior não é só a falta de oportunidades, mas de incentivo.
É imprescindível, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com empresas, disponibilizem cursos técnicos profissionalizantes com o objetivo de facilitar a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho. Ademais, as escolas, –máquinas socializadoras-, juntamente com o Ministério da Saúde, devem promover palestras com os alunos sobre educação sexual, desde cedo, com o intuito de evitar gravidez indesejada durante o período escolar. Por fim, há a necessidade da criação de políticas públicas que assegurem uma educação de qualidade e que envolva as competências necessárias para atuar em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Assim, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio.