As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 28/10/2019
Na obra ‘‘Utopia’’ do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se na ausência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade contemporânea é antagônico ao que o autor prega, uma vez que os jovens enfrentam obstáculos para ingressarem no mercado de trabalho, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário contraditório se dá porque o sistema de ensino não os prepara conforme as exigências do mercado de trabalho, além do que, muitas vezes, os integrantes da denominada “Geração Z” não detêm as competências emocionais necessárias para a contratação.
Primordialmente, é fulcral pontuar que as dificuldades que os jovens sofrem ao tentarem ingressar no mercado de trabalho deriva da baixa atuação dos setores de ensino, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensamento empirista do filósofo John Locke, o homem só pode conhecer aquilo que foi adquirido pela experiência. Sob tal ótica, é evidente que a falta de disciplinas escolares que instruam os estudantes sobre as demandas do mercado de trabalho, produz indivíduos que desconhecem as necessidades dessa realidade. Sendo assim, o desemprego entre esse público passa a ser reflexo de um arquétipo educacional incompatível com as exigências das vagas disponíveis. Posto isto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego é maior, entre os trabalhadores de 18 a 24 anos, do que entre a da população em geral.
Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de competências emocionais como promotor do problema. Tal afirmação está em consonância com a teoria sociológica de Zygmunt Bauman, que defende que os membros da “Geração Z”, nascidos entre a década de 90 e início dos anos dois mil, estão imersos em uma modernidade líquida, onde a efemeridade das relações interpessoais e o individualismo exacerbado instauram um quadro de instabilidade e fragilidade emocional. Nesse viés, muitas vagas deixam de ser preenchidas porque os candidatos não controlam suas emoções durante a entrevista, o que faz com que os contratadores, julguem-os como incapazes mentalmente de exercer determinada função.
Em suma, medidas são necessárias para sanar as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Dessarte, urge, que o Ministério da Educação, introduza na grade curricular do Ensino Médio a preparação para o mercado de trabalho como disciplina obrigatória, por meio de cursos e oficinas profissionalizantes, onde os professores terão o objetivo de auxiliar os alunos sobre as principais exigências dos contratantes. Dessa forma, os alunos terão o conhecimento prévio sobre as demandas do mercado de trabalho e a Utopia de More será alcançada.