As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 14/10/2019

Thomas More, em sua célebre obra “Utopia”, descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, observa-se no contexto vigente o oposto ao que o autor aborda, uma vez que as dificuldades enfretadas pelos jovens para ingressarem no mercado de trabalho apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. A perspectiva antagônica é derivada tanto do distanciamento estatal nessa fase juvenil quanto da falta de qualificação entre os jovens.

Convém ressaltar, a princípio,  que o problema advém, em muito, da ausência do estado. Sob a visão de Thomas Hobbes, o estado é o responsável por garantir o bem-estar da sociedade, todavia, no Brasil, - em que o desemprego entre os jovens é maior que o dobro da média mundial, segundo a Organização Internacional do Trabalho - é notório a falha governamental no que tange à harmonia da esfera social juvenil. Em virtude do desinteresse do estado para solucionar o problema, o futuro dos jovens é comprometido, visto que esse grupo buscará empregos informais - ou até mesmo criminosos - de obter renda, além de dificultar a evolução da educação destes para o mercado de trabalho.

Outrossim, a falta de qualificação apresenta-se como fator contribuinte para a problemática. A Revolução Técnico-Científico-Informacional, inaugurada a partir do século XX, exige dos trabalhadores uma maior experiência profissional, se na Primeira Revolução Industrial usava-se extensa mão-de-obra, a partir da Terceira Revolução, as empresas começam a buscar empregados capazes de realizar tarefas   outrora realizadas por várias pessoas. Nesse contexto, fica evidente a importância da educação - seja ela de nível médio, técnico ou superior - para a empregabilidade dos jovens no mercado de trabalho.

É possível defender, portanto, que impasses governamentais e sociais constituem desafios a superar. Para tanto, o Ministério do Trabalho juntamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação deve criar um banco de dados contendo os jovens e os respectivos tempos de desemprego, com o intuito de oferecer cursos presenciais ou on-line para a qualificação dos mesmos, a fim de ajudá-los a adequar-se às exigências do mercado de trabalho. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com empresas privadas, deve selecionar frequentemente alunos de escolas públicas para trabalhares nessas empresas, com o intuito dos jovens obterem experiência profissional para empregos futuros. Dessarte, e com medidas adicionais, será possível, de fato, alcançar a utopia de More.