As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 15/10/2019

Thomas More, em sua célebre obra “Utopia”, descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, observa-se no contexto vigente o oposto ao que o autor aborda, uma vez que as dificuldades enfrentadas pelos jovens para ingressarem no mercado de trabalho configura-se como um impasse, no qual dificulta a concretização dos planos de More. A perspectiva antagônica é derivada tanto do distanciamento estatal nessa fase juvenil quanto da falta de qualificação entre os jovens.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém em muito da ausência do Estado. Sob a visão de Thomas Hobbes, o Governo é o responsável por garantir o bem-estar da sociedade. Todavia, no Brasil, - em que o desemprego entre os jovens é maior que o dobro da média mundial, segundo a Organização Internacional do Trabalho - é notório a falha governamental no que tange à harmonia da esfera social juvenil. Em virtude do desinteresse do Poder Público para solucionar a problemática, o futuro dos jovens é comprometido, visto que esse grupo buscará empregos informais - ou até mesmo criminosos - para obter renda, além de dificultar a evolução da educação destes para o mercado de trabalho.

Outrossim, a falta de qualificação apresenta-se como fator contribuinte para o problema. Devido a mecanização industrial provocada pela Revolução Técnico-Científica, os trabalhadores, além de concorrerem entre si,  competem - diretamente ou indiretamente - com máquinas visivelmente mais produtivas, isso obriga, de certa forma, a qualificação constante dos empregados, uma vez que, caso isso não aconteça, os funcionários correm o risco de perderem os empregos. Nesse contexto, fica mais que claro a importância do aperfeiçoamento estudantil - seja ela de nível médio, técnico ou superior - para a empregabilidade dos jovens no mercado de trabalho.

É possível defender, portanto, que adversidades governamentais e sociais constituem desafios a superar. Para tanto, o Ministério da Educação juntamente com agentes censitários deve criar um banco de dados contendo os jovens e os respectivos tempos de desemprego, - isso pode ser feito mediante mobilizações coletivas, nas quais os agentes cadastram os jovens desempregados - a fim de oferecer cursos presenciais ou on-line para a qualificação dos mesmos, de modo a ajudá-los a adequar-se às exigências do mercado. Cabe ainda ao Ministério da Educação, em parceira com empresas privadas, indicar alunos de escolas públicas, por meio de seleções, para trabalharem nessas empresas, com o intuito dos jovens obterem experiência profissional para empregos futuros. Dessarte, e com medidas adicionais, será possível, de fato, alcançar a utopia de More.