As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 22/10/2019

Desemprego juvenil: um produto da desigualdade social.

A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos os brasileiros o direito à moradia, à educação e ao trabalho digno. Entretanto, observa-se a ineficiência na aplicação dessa normativa ao se constatar que, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), quase 30% dos jovens - com idade entre 15 e 24 anos – estão desempregados no Brasil. Com efeito, a dificuldade de ingresso no mercado de trabalho pelos jovens configura-se como um grave problema social, seja em virtude da desigualdade social, seja pela consequente precarização dessa mão de obra.

Primeiramente, cabe pontuar que, de acordo com o Índice de Gini, o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. De fato, esse indicador demonstra o imenso desequilíbrio socioeconômico presente na sociedade brasileira, que repercute no acesso deficitário a serviços básicos, como educação, transporte público e moradia por parcela significativa da população. Por consequência, esse processo excludente impede que os jovens tenham formação educacional e profissional adequada, o que dificulta a sua inserção no marcado de trabalho formal, cujo meio está cada vez mais competitivo e dinâmico.

Ademais, essa rejeição pelo sistema laboral formal impele os jovens a buscarem oportunidade de sustento na informalidade. Em consonância com o jornal eletrônico G1, quase 38% dos jovens realizam “bicos” para garantir a subsistência da família. Embora essa seja uma saída legítima para o problema financeiro que se impõe, tal alternativa precariza ainda mais a formação profissional do jovem, já que a baixa remuneração e a carga horária de trabalho exaustiva a que são submetidos dificultam a manutenção dos estudos, culminando na persistência do problema.

Portanto, para que a problemática deixa de fazer parte da realidade brasileira, o Governo Federal deve desenvolver um programa social abrangente, por meio de parcerias com instituições privadas, que forneçam cursos profissionalizantes aos jovens, a fim de garantir a esse público melhores oportunidades de trabalho. Da mesma forma, as escolas devem promover oficinas lúdicas aos jovens do ensino médio, a fim de auxiliá-los na reflexão acerca da profissão que desejam seguir, bem como informá-los sobre os programas sociais assistidos pelo Governo Federal para a continuidade dos estudos, tais como o Prouni e o Sisu. Assim, espera-se que a Constituição Federal seja efetivamente aplicada no Brasil, pois, como descreveu Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.