As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 30/10/2019
Segundo a teoria contratualista de Jacques Rousseau, filósofo illuminista do séc. XVIII: a sociedade somente progride quando cada indivíduo se mobiliza pelo problema do outro. Entretanto, quando se observa as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, acarretado pela falta de medidas públicas e o descaso da sociedade em relação ao problema, verifica-se que o Estado e a população não estão cumprindo seu dever illuminista, e a problemática persiste na sociedade brasileira.
Em primeira análise, é importante ressaltar que, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o total de desempregados entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 40% no ano de 2018, e esse número é ainda maior entre jovens que estão procurando seu primeiro emprego, assim, essa situação é inaceitável para o progresso do país. Desse modo, a falta de medidas públicas que auxiliam na inserção dos jovens no mercado de trabalho agrava o impasse, pois por não haver uma legislação específica que regulamente vagas aos jovens nas empresas públicas e privadas, muitos jovens permanecem desempregados, já que, majoritariamente, as empresas optam por contratar funcionários mais experientes. Outrossim, é fundamental destacar que a falta de um ensino técnico voltado ao mercado de trabalho dificulta a entrada dos jovens nesse mundo, visto que por não ter um preparo adequado durante o colégio, os jovens são trocados por profissionais especializados, assim mostra dados do PME( Pesquisa Mensal de Empregos), que relatou que o número de jovens empregados com formação técnica-especializada é 60 % maior do que jovens que não possuem nenhuma formação.
Ademais, o descaso da sociedade com o crescente índices de desemprego no Brasil intensifica o impasse, já que muitas empresas por julgarem jovens menos capazes ou inexperientes escolhem contratar funcionários que já têm histórico no mercado de trabalho, assim, é fundamental combater esses preconceitos, pois, segundo o filósofo grego, Aristóteles: “a superação dos preconceitos é essencial para o desenvolvimento da sociedade”.
Portanto, é dever do Congresso Nacional elaborar uma legislação específica que, por meio de cotas nas empresas públicas e privadas, ofereça oportunidades para o jovem no mercado de trabalho, além disso, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma Matriz Curricular com disciplinas técnicas e especializadas numa área profissionalizante, para que os jovens consigam formação qualificada e voltada ao mercado de trabalho. A elaboração de campanhas de conscientização pelo Ministério Público e ONG’s são cruciais para erradicar preconceitos no mercado de trabalho que discriminam os jovens, para que consigam uma chance justa de emprego.