As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 18/02/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a alta taxa de desemprego entre os jovens apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de um programa eficiente de empregabilidade, quanto da grande exigência do setor privado em requisitar somente trabalhadores experientes. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a grande quantidade de novos trabalhadores ociosos deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, os jovens, altamente capacitados para o mercado de trabalho, submetem-se a empregos muito abaixo de suas qualificações. Esse fato decorre da inexistência de estímulos estatais, os quais incentivem os empregadores a contratar pessoas incipientes para o mercado de trabalho.
Ademais, é imperativo ressaltar a iniciativa dos empregadores em procurar no mercado somente funcionários experientes como promotora do problema. De acordo com o site www.gazetadopovo.com.br, em 2017, a probabilidade dos jovens de 18 a 24 anos serem contratados é de apenas 36%, enquanto para pessoas de 25 a 56 anos, é de 56%. Partindo desse pressuposto, a exigência do mercado atual é que o trabalhador já venha pronto e com todas qualificações necessárias para desempenhar sua função, tal fato contribui na criação de subempregos e na perda de uma mão de obra indubitavelmente capacitada.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o desemprego juvenil, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Trabalho, será revertido na criação de programas que estimulem a contratação de trabalhadores iniciantes, por meio de incentivos fiscais para os contratantes e da desburocratização na hora de firmar um contrato de trabalho. Também é de extrema importância a disseminação de campanhas publicitárias, em todos os meios de comunicação, que instigue o empregador a dar oportunidade às pessoas inexperientes. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da desocupação do jovem brasileiro, e a coletividade alcançará a “Utopia” de More.