As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 28/03/2020

A Carta Magna de 1988 assegura o direito ao trabalho e à previdência social a todos os cidadãos. Todavida, a dificuldade de parte da população juvenil em ingressar no mercado de trabalho evidencia que nem todos os brasileiros conseguem gozar desse direito constitucional. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para uma parcela populacional, seja pela carência de estratégias estatais, seja pela insuficiente qualificação entre essa faixa etária.

Mormente, é justo reconher as iniciativas do Poder Público as quais visam atenuar esse panorama de indiferença, a exemplo do Jovem Aprendiz, programa o qual auxilia a demografia juvenil a adentrar no mercado de trabalho. Entretanto, apenas isso não é suficiente para mitigar o problema ao longo prazo, haja vista que esse contrato assinado entre o trabalhador e o empregador possui curta duração, e logo o jovem encontra-se novamente a procura de um novo ofício formal. Sob tal ótica, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, como o Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas “instituições zumbis”. Destarte, enquanto o governo falhar em criar estratégias de inserção, parte da população jovial terá de conviver com o direito constitucional ao trabalho negligenciado.

Outrossim, é válido ressaltar que a insuficiente qualificação entre os jovens também contribui para que essa parcela populacional tenha dificuldades para se inserirem no mercado de trabalho. Isso ocorre porque nem todas as pessoas possuem condições financeiras para pagar um curso profissionalizante ou técnico, ou seja, é possível concluir que a inacessibilidade à educação técnica e profissionalizante contribuem para esse panorama de indiferença. A esse respeito, o sociólogo Émile Durkheim afirma que a educação é uma ação capaz de quebrar o fato social. Tristemente, ao não obter cursos de qualificação, o jovem indivíduo terá dificuldades para conseguir trabalho, podendo terminar desempregado ou em subempregos insalubres e de baixa remuneração, que não irão lhe proporcionar boa qualidade de vida.

Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério do Trabalho, vinculado ao Poder Legislativo, criar uma lei de cotas que obrigue que pelo menos 10% dos empregados de uma empresa sejam jovens, mediante uma fiscalização a qual deve ser realizada por agentes governamentais, assim será possível conceber um sistema sustentável para atenuar o desemprego nessa faixa etária. Também é de suma importância que o Ministério da Educação e Cultura(MEC), juntamente a institutos públicos e privados, como o CEFET e o SENAI, forneça cursos de qualificação para essa população, indo a favor da Constituição Federal do país.