As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 06/04/2020
No clássico “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, o leitor se depara com uma sociedade muito bem organizada, em que cada cidadão tem um emprego e uma função. Fora da literatura, essa realidade torna-se um sonho para os jovens do mundo moderno, tendo em vista as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Assim podem-se notar alguns fatores que fortalecem a persistência do problema, como, por exemplo, a carência de mecanismos de inserção do jovem no mercado de trabalho e a falta de experiência.
Vale evidenciar a escassez de mecanismos como impulsionador do transtorno, já que além da insuficiência de projetos, a taxa de adesão para os existentes é muito baixa. Este fato pode ser comprovado por uma pesquisa feita pelo jornal Folha de São Paulo a respeito do programa Jovem Aprendiz, em 2016, que mostrou que 93.8% das empresas não tinham nenhum aprendiz contratado. O principal motivo disso é o maior interesse das empresas em contratarem profissionais com experiência ao em vez de dar experiência á um funcionário.
Por outro lado, a falta de experiência também deve ser destacada, já que as empresas estão cada vez mais exigentes em relação a seus funcionários, prejudicando os jovens que acabaram de se formar. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o percentual da População em Idade Ativa (PIA) com mais de 10 anos de estudo aumentou de 46.7% para 63.8%. Esse dado comprova que os trabalhadores com uma maior especialização trabalham por mais tempo, o que, consequentemente, reprime as chances de quem quer iniciar sua carreira. Assim, a criação de cursos que especializem os recém-formados para tornar a concorrência mais justa se torna necessária.
Dado o exposto, o governo Federal deve, por meio da Secretaria de Trabalho, criar novas ferramentas de inserção do jovem no mercado de trabalho, tendo como exemplo o programa Aprendizagem Profissional, através da redução de tributos às empresas que aderirem o projeto. Além disso, os governos Estaduais devem oferecer cursos técnicos sobre o desenvolvimento de aprendizagem e estágio, com regulamentação e fiscalização para que não haja exploração, com o fim de dar experiência aos jovens recém-formados, para que eles possam ingressar em seu primeiro emprego e mostrar seu potencial.