As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 06/04/2020
A contradição entre o conhecimento e a experiência
A Seleção Natural, teoria evolutiva de Charles Darwin, descreve que os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados. Tal cenário, é evidente no atual mercado de trabalho, onde os jovens sofrem com a dificuldade de ingressar em seu primeiro emprego por falta de competências profissionais e pela seleção rigorosa das empresas. A primeira, deve-se à inadequação entre a formação acadêmica e o que o mercado de trabalho exige, já a segunda está relacionada com a preferência das empresas por pessoas já experientes.
Juliana Inhasz, coordenadora da graduação em Economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), pontua que, para as empresas, a formação acadêmica nem sempre está em sincronia com as habilidades exigidas pelo mercado de trabalho. Nessa perspectiva, nota-se a falta da formação de competências, habilidades essenciais para a ingressão do jovem no mercado de serviços, na estrutura curricular das escolas. Tal situação, reflete diretamente na ingressão do jovem no mercado de trabalho, visto que, segundo uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a chance de um jovem não dotado de competências conseguir emprego é 64% menor do que um indivíduo que já passou pelo ramo trabalhista competitivo.
Na atual conjuntura, é notório o aumento do desemprego, na maior parte entre os jovens, em decorrência dos prejuízos causados pelo COVID-19. Isso, deve-se ao fato de que as empresas optam por afastar os menos experientes, aqueles cuja saída irá impactar menos na produtividade. Ademais, as instituições não pretendem prepará-los para os cargos oferecidos, devido ao risco de o investimento em treinamento profissional não ser lucrativo para a empresa. Deste modo, acabam contratando pessoas dotadas de competências e que já passaram pelo mercado de trabalho, no intuito de evitar os custos.
Em suma, o panorama comum no atual mercado de trabalho é o de jovens sem orientação profissional, apesar de terem um conjunto de conhecimentos teóricos. Portanto, é de extrema importância que a Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) desenvolva, no jovem, as competências essenciais para entrar no ambiente de trabalho, por meio da implantação de estágios e cargas horárias complementares no currículo deste, durante o período escolar. Ainda mais, se faz imprescindível que o Poder Legislativo implante um projeto de lei voltado para a absorção de novos membros nas empresas, a fim de se rever os critérios utilizados na seleção de novos empregados.