As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 06/04/2020
No livro “Pedagogia do oprimido”, o educador brasileiro Paulo Freire afirma que ninguém educa ninguém ou a si mesmo, porém os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Partindo desse pressuposto, deduz-se a importância do indivíduo conhecer a realidade em que está inserido para obter sua educação. É possível relacionar essa essencialidade com o atual mercado de trabalho, o qual exige esse entendimento, mas além disso, cobra habilidades necessárias para lidar com a sociedade. Entretanto muitas instituições educacionais não preparam os jovens para isso, principalmente quando se trata de alunos da rede pública brasileira. Ademais, tantas cobranças podem ser inatingíveis e prejudicais normalmente. Dessa forma, tais problemas político-sociais precisam ser discutidos.
Embora a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 pressuponha que as escolas preparem os alunos para o mercado de trabalho, somente 12% dos brasileiros acreditam que o aluno do ensino médio das escolas públicas está bem preparado para se inserir no mercado profissional, como também mais de 70% creem que uma boa educação tem impactos positivos sobre a empregabilidade, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Levando em consideração que é dever do Estado administrar a nação, qualquer problema que venha acontecer é resultado da negligência governamental. Consequentemente, a má preparação dos estudantes demonstra uma falha no sistema educacional brasileiro, o qual não instrui eficientemente seus educandos para o mundo profissional.
É evidente como o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, o que não é necessariamente um aspecto negativo. Todavia, as competências cobradas, muitas vezes, entram em divergência com as capacidades adquiridas pelos jovens. É incoerente exigir experiência de um jovem recém-chegado no mercado, assim como requerer habilidades de máquinas também. Muitas empresas exigem dos empregados capacidades que são inflexíveis e prejudiciais a saúde mental, em virtude da pressão acerca dos vestibulares, muitos concorrentes já estão com essa área mais vulnerável. Sem contar que esse descarte faz com que eles busquem a solução na informalidade, o que é desvantajoso, tanto para si próprios, como para a economia nacional.
Em deferência à declaração de Nelson Mandela sobre a educação ser a arma mais poderosa do mundo, as medidas devem começar pela mesma. É fulcral que o Ministério da Educação fiscalize e garanta efetividade da Lei LDB 9394/96 e cumprimento da BNCC, através de provas frequentes, para se assegurar da preparação dos jovens. Assim como seria ideal que o Ministério do Emprego e do Trabalho realizassem projetos para melhor adequar os jovens às exigências do mercado.