As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 06/04/2020
Há 54 anos, as pessoas que conseguiam concluir o ensino superior tinham a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, recebendo um salário maior, direito a previdência, plano de saúde, entre outros. Em 1960, os trabalhadores do campo migraram para as cidades e foram absorvidos pelas indústrias, que não precisaram gastar muito com os salários por conta da falta de qualificação da mão de obra. Em 2018, 47,5% dos jovens concluíram o ensino superior, e consequentemente, a atuação no mercado de trabalho deveria ser maior. Todavia, o mundo vive um problema no qual as maiores vítimas da recessão são os jovens, que não conseguem ingressar em um emprego por não atingirem as competências necessárias, pela falta de experiência e pelo distanciamento das universidades e das empresas.
O ensino superior se tornou cada vez mais ultrapassado porque os alunos são ensinados a obedecer e não a pensar, ao invés de serem ensinadas e colocadas em prática as competências exigidas pelas firmas. Um fator de suma importância na contratação de funcionários é o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, as quais não são trabalhadas nas faculdades. De acordo com Augusto Cury, a geração atual sofre de Síndrome do Pensamento Acelerado e não tem autocontrole, o que faz com que muitas pessoas falhem em um ponto determinante para conseguir fazer parte da População Econômica Ativa (PEA): a entrevista de emprego. Como os candidatos não conseguem controlar suas emoções, demonstram nervosismo e deixam transparecer insegurança ao entrevistador.
De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o desemprego entre jovens é três vezes maior que as demais classes trabalhadoras, o que indica que a população não tem qualificação e assim, os postos são ocupados por pessoas mais experientes. Devido a isso, a comunidade juvenil tem o papel de buscar de maneira autônoma, formas de se especializar em determinados assuntos, desenvolver as competências ou até mesmo iniciar um pequeno negócio. No cenário de pandemia em que estamos vivendo, pessoas estão sendo demitidas, negócios estão sendo fechados e empresas estão falindo por conta da ordem de isolamento. Uma das alternativas encontradas por essa parte da população é procurar conhecimento na internet por meio de aulas e cursos gratuitos.
Portanto, uma solução é que o Ministério do Trabalho fiscalize efetivamente os programas que oferecem estágios, como Jovem Aprendiz, fazendo inspeções para assegurar que a lei está sendo cumprida. Além disso, o Ministério da Educação deve assegurar que as instituições de ensino superior estejam atualizadas de acordo com as demandas solicitadas pelo mercado de trabalho, para que a PEA esteja preparada e tenha segurança para investir em sua carreira profissional.