As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 06/04/2020
Desde os adventos das Revoluções Industriais, os donos dos meios de produção buscavam a maior produtividade e os menores gastos possíveis para a efetivação do lucro. Lamentavelmente, na contemporaneidade, há uma espécie de “competição por empregos”, na qual ganha quem for mais “rentável” à empresa, exemplo disso é a alta taxa de desemprego jovem, por apresentarem menos experiência. Desta forma, é necessário perceber as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, já que a eficiência é diretamente ligada ao conhecimento adquirido pela prática e às habilidades socioemocionais para a resolução de problemas.
No que concerne ao primeiro ponto, cabe salientar que a experiência é um dos principais fatores que levam uma empresa a contratar um trabalhador, entretanto é impossível adquirir tal habilidade empírica sem que haja um emprego. Compreender a dimensão disso requer diálogo com a teoria de Plantão. Consoante o pensador, o começo é a parte mais difícil do trabalho. Traçando um paralelo, a realidade comprova que as corporações cobram habilidades adquiridas com a prática, mas não oferecem meios de adquirí-la, haja vista que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a probabilidade de jovens que nunca trabalharam conseguirem o primeiro emprego é 70% menor que a de adultos. Não há como negar, então, a dificuldade das pessoas em conseguir o seu primeiro trabalho.
Quanto ao segundo ponto, é importante perceber que a imaturidade leva a muitos comportamentos relacionados a emoção, em detrimento da razão, deixando novamente os jovens de lado na seleção de empregos. Para sustentar essa informação, vale recorrer à Organização Mundial de Saúde (OMS), que estima que depressão e transtornos de ansiedade custam para a economia global mais de 1 trilhão de dólares por ano em perca de produtividade. Seguindo essa linha de pensamento, empresas não teriam vantagens em contratar pessoas no ápice da instabilidade mental, devido à mudança repentina do espaço, da escola ao mercado de trabalho, onde a cobrança é constante e erros devem ser mínimos.
Destarte, levando em conta a importância da discussão, é pertinente apontar uma maneira de enfrentar a problemática. Nesse contexto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Economia, órgão responsável por formular e normatizar políticas na área, através das Secretarias de Trabalho, do âmbito federal e estadual, deve aumentar a escala do Programa Aprendiz Legal, instituindo ações importantes como a criação de vagas, e melhora da acessibilidade, a fim de garantir experiência de trabalho aos jovens. Do mesmo modo, é necessário que o Ministério da Educação, por meio das Secretarias Estaduais, fomente e regulamente o ensino das habilidades socioemocionais nas escolas, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, para amenizar a instabilidade mental dos alunos.