As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 06/04/2020

No aclamado longa La La Land (2016), o espectador se depara com dois jovens aspirantes a artistas, ambos em busca de seus sonhos na grande Los Angeles. Apesar de supostamente certos do que querem, os protagonistas passam por inúmeras frustrações e conflitos inesperados, até entenderem qual de fato é o seu lugar no mercado de trabalho, mais especificamente no meio artístico. A história de Mia e Sebastian não passa longe da realidade, num contexto em que grande parte dos jovens, em razão da falta de alicerces adequados e descuido da saúde mental, não consegue encaixar-se nesse mercado.

Numa era de grandes mudanças tecnológicas e sociais, as empresas e empregadores estão cada vez mais exigentes. Segundo pesquisa do Ipea, feita entre 2006 e 2012 nas principais metrópoles brasileiras, pessoas entre 15 e 24 anos tem muito mais dificuldades para ingressar no mercado, que anda mais restrito: entre inúmeros fatores, há o requerimento de mais experiência na área e o conhecimento de mais de uma língua, por exemplo. No entanto, nem todos os jovens possuem essas bases adequadas pois, apesar de terem escolhido o caminho, provavelmente não procuraram ou não foram incentivados a fazê-lo em busca de informações e treinamento mais aprofundados. Desse modo, pegos de surpresa pela frustração, acabam em empregos informais ou que subestimam suas habilidades.

Os obstáculos vão além do empregador, trata-se também de uma questão de saúde mental. Segundo pesquisa da OMS, 33% da população global sofre de ansiedade, já considerada o mal do século XXI. Os recém-chegados ao mercado lidam com a pressão externa de conseguir emprego em um contexto cada vez mais competitivo, e uma alta gama de informações chegando a toda hora, dando uma sensação de corrida contra o tempo em busca do sucesso. Esse estresse resulta na falta de altas expectativas, e pesa em entrevistas ou qualificações, afinal nessa incessante busca de respostas rápidas, a frustração chega em dobro, e o caminho trona-se mais difícil.

A atual dificuldade dos jovens em ingressarem no mercado de trabalho deve-se ironicamente a uma desinformação em uma era de informação, em evolução rápida e constante, portanto empregadores estão cada vez mais exigentes e restritivos. O correto deveria ser começar a experimentação de carreiras desde o fim do ensino fundamental, através de cursos preparatórios e variáveis ao longo do período escolar, além de simulações, um projeto em que o MEC e empresas locais uniriam forças para essa preparação. Para evitar a ansiedade, o interessante seria o mesmo ministério tornar obrigatório um plano de metas extenso todo fim de ano letivo, assim o aluno teria seus objetivos mais organizados.