As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 06/04/2020

Na obra clássica de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, conta-se a história de uma sociedade distópica, em que cada membro já nasce designado a uma profissão e uma função a qual deverá exercer. Em paralelo, tem-se no Brasil contemporâneo, a dificuldade do jovem adentrar no mercado de trabalho, uma vez que, com muitos anos de estudos, não apresentam competências e experiências procuradas pelas empresas. Do mesmo modo, a pequena presença da juventude no mercado de trabalho, a qual esta mais familiarizada com as tecnologias e possui uma maior escolaridade, pode acarretar na escassez de profissionais qualificados e no avanço científico e tecnológico da economia .

Segundo o diretor  da consultoria empresarial Lee Hecht Harrison (LHH) do Centro-Oeste, é menos vantajoso para as empresas contratar e manter funcionários iniciantes pois não possuem as mesmas competências que os mais experientes da área, podendo prejudicar assim o andamento do negocio. A título de exemplo, levantamento do IBGE demonstra que dentre os 11,9 milhões de desempregados no Brasil em 2020, mais de 1/4 são jovens, evidenciando a preferência dos empreendimentos em profissionais com mais experiência. Com isso, é flagrante o atraso da entrada do jovem no mercado de trabalho, além de uma maior desigualdade salarial, já que muitos aceitam vagas que não condizem com seu nível de escolaridade tirando daqueles que não tiveram acesso a tal estudo.

Além disso, é inegável que as gerações Y e Z possuem maior familiaridade com a tecnologia, por já terem nascido imersas nessa realidade, o que poderia contribuir de forma significativa para a modernização científica e tecnológica das industrias brasileiras que se encontram sem condições de competir com o produto internacional. Como exemplo, tem-se a pesquisa do sociólogo Simon Schwartzman que afirma que 9 em cada 10 jovens estadunidenses, um dos maiores polos econômicos mundiais, já participaram de algum curso profissionalizante facilitando sua entrada no mercado de trabalho e melhorando ainda mais a industria, algo que deveria ser implementado no currículo escolar de outros países.

Portanto, fica evidente a necessidade da realização de medidas pelo Governo Federal afim de abrir portas para esses novos trabalhadores e potencializar a economia nacional. É de extrema importância que o Ministério da Educação em conjunto com a Secretaria do Trabalho implante no currículo básico e superior as competências cobradas pelas empresas e industrias além de incentivar parcerias entre universidades e esses empreendimentos que estão a procura de mão de obra. Dessa forma formarão profissionais mais aptos e familiarizados com o mercado de trabalho.