As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 07/04/2020

Em 1948, a ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual consta que todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego e à proteção contra o desemprego. No entanto, essa norma não tem sido cumprida em sua totalidade no Brasil, pois é evidente o grande número de desempregados na nação, principalmente os jovens, pois é a geração que, embora possua diversas habilidades com a tecnologia, também demonstra maior dificuldade em administrar suas emoções. Além disso, as empresas brasileiras atuais preferem contratar pessoas com mais experiência, sem dar devida oportunidade aos jovens ingressantes no mercado de trabalho.

A priori, as dificuldades encontradas no primeiro emprego tem tido grandes impactos nas carreiras dos recém-formados, pois muitos desses não foram preparados para essas adversidades, causando assim, profissionais que não sabem como agir em momentos de crise. Como resultado, esses jovens são demitidos, uma vez que, uma das competências necessárias, segundo o Fórum Econômico Mundial, é a Inteligência Emocional, a qual determina que, além de o profissional ter que saber lidar com estresse e pressão, deve ter iniciativa e levar uma vida de maneira mais equilibrada.

Ademais, muitas empresas atuais estipulam um paradoxo no qual o jovem deve ter experiência para conseguir o emprego, no entanto, não oferecem oportunidades para que o próprio jovem a adquira. Outrossim, quando uma instituição realiza um processo de seleção para possíveis candidatos, priorizam os que possuem mais experiência, como mostram os dados do IBGE do último trimestre de 2019, onde o número de jovens sem emprego, de 18 a 24 anos, é maior que o dobro do número de adultos desempregados. Por consequência, esses jovens são obrigados a aceitar vagas mal remuneradas ou desprovidas de direitos trabalhistas que deveriam ser garantidos por lei.

Infere-se, portanto, que o Estado deve tomar providências para amenizar o quadro atual. Para isso, urge que o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, institua, nas escolas e cursos superiores, atividades que desenvolvam competências emocionais; desse modo, os futuros profissionais terão um melhor desempenho tanto na sua área de trabalho como nas diversas áreas da sua vida. Além disso, o Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular, deve desenvolver Itinerários Formativos nas escolas que não o possuem, através de disciplinas que atuem na formação técnica ou profissional ou na mobilização de competências e habilidades de diferentes áreas; dessa forma, o jovem sairá do Ensino Médio com experiência, podendo ingressar diretamente no mercado de trabalho. Somente assim, o desemprego dos jovens no Brasil será aplacado, com profissionais bem qualificados e inteligentes emocionalmente.