As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 19/04/2020
Adotada pela Organização das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 23, assegura que todo cidadão tem direito ao trabalho e à livre escolha de emprego. No entanto, o atual panorama brasileiro contraria essa garantia, visto que, no país, o jovem enfrenta dificuldades para sua inserção no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, a barreira vivida por esse grupo evidencia a busca das empresas por funcionários experientes e a má qualidade do ensino educacional. Desse modo, faz-se necessário a adoção de estratégias para reverter esse cenário.
Sob um primeiro viés, é visível a preferência das instituições de contratar profissionais com vivência em sua área de atuação. De acordo com o filósofo John Locke, o ser humano nasce como uma folha de papel em branco que, no decorrer de sua vida, é preenchida por conhecimentos e influências. Desse modo, o jovem apresenta um espaço vazio de experiências e, em consequência, é descartado de forma repetitiva por empresas que procuram contratar trabalhadores com maior bagagem prática, com a expectativa que estes tragam melhores resultados. Assim, os jovens aceitam cargos com uma má remuneração ou recorrem a trabalhos informais. Destarte, é necessário a dissolução dessa conjuntura.
Outrossim, é válido ressaltar que a precária educação agrava essa situação. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos foi de 27,3%, acima da média nacional. Nesse contexto, a informação pode ser relacionada com a má formação nas escolas, haja em vista que o ensino deficitário, sobretudo nas redes públicas, sofre com a falta de investimentos e com o despreparo dos professores. Dessa maneira, o jovem não é estimulado e essa precaridade afeta na qualificação destes e diminui suas oportunidades, além de formar indivíduos não aptos a ingressarem no mercado de trabalho.
Portanto, é mister salientar que medidas são necessárias para solucionar esse obstáculo. Em primeiro plano, é essencial que as instituições de ensino e as empresas firmem uma parceria para o aumento de vagas no programa do Jovem Aprendiz, que tem como objetivo capacitar pessoas que tenham entre 14 a 24 anos, com a presença de atividades teóricas e práticas, para ingressarem no mundo corporativo e aumentarem as chances de serem contratados. Ademais, o Ministério da Educação deve investir em melhores professores, ampliar as verbas para a melhoria de centros educacionais e destinar partes delas ao salário dos profissionais, além de incluir o uso da tecnologia em sala de aula, o que resultará em estudantes com melhor preparação e qualificação. Consequentemente, o recém formado deixará de ser apenas uma folha em branco, preenchendo-a com suas experiências, como dito na teoria da Tábua Rasa, proposta por John Locke.