As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 24/04/2020

A crise que assolou a economia brasileira teve como fundamental consequência o auge do índice de desemprego, que chegou a 14,2 milhões de brasileiros desempregados, e gerou muitas dificuldades no mercado de trabalho. Nesse âmbito, os jovens do país, em busca do primeiro ofício, foram os mais afetados, uma vez que, para muitas instituições, são desvalorizados e postos em segundo plano.

O principal impedimento encontrado pelos jovens durante a tentativa de ingresso ao mercado de trabalho é a inexperiência. De acordo com Andreia Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do IPEA, as empresas priorizam a contratação ou permanência de trabalhadores que já tenham vivência no âmbito profissional. Tal pensamento é prejudicial aos mais novos, dado que, conforme afirmou o filósofo brasileiro Paulo Freire ninguém nasce feito, é experimentando-se no mundo que as pessoas se fazem. Assim sendo, não há como os jovens adquirirem a prática requisitada sem terem a primeira oportunidade.

Diante dessa problemática, muitos buscam alternativas para pagar as contas. Na telenovela brasileira Totalmente Demais, produzida pela Rede Globo, retrata-se Jonatas, um rapaz humilde que intitulava-se como “empresário das ruas”. Após não conseguir um emprego com carteira assinada, a solução encontrada pelo jovem para ajudar a mãe nas despesas de casa foi trabalhar como “flanelinha” e vendedor de balas no semáforo. A ficção, diversas vezes, vai ao encontro da veracidade, sendo a realidade de Jonatas a de muitos brasileiros. Dessa forma, consoante o levantamento da consultoria IDados, 89% dos empregos de pessoas entre 18 e 24 anos são informais, o que os expõe a uma situação de vulnerabilidade, uma vez que não possuem benefícios e direitos trabalhistas.

Tendo ciência acerca do empecilho encontrado pelos jovens e da forma com que lidam com a dificuldade, medidas urgem ser tomadas. É necessário que o Ministério do Trabalho, junto à Comissão da Infância e Juventude crie projetos remunerados em empresas públicas que ofereçam chances aos iniciantes de exercer funções predeterminadas acompanhados de supervisores dando-lhes suporte para que adquiriam experiência profissional e também não precisem recorrer ao trabalho informal para obterem renda. Além disso, o Ministério da Educação, em conjunto com instituições de ensino, deve elaborar cartilhas que orientem, especialmente, alunos dos ensinos médio e superior acerca da importância do estágio, das exigências feitas pelas empresas e de como funciona o mercado de trabalho.