As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 16/06/2020

O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, descreve a reflexão do eu lírico ao lidar com um obstáculo presente em sua trajetória. Fora do contexto drummoniano, o jovem brasileiro encontra-se em uma circunstância semelhante, que o impede de prosseguir para a vida adulta: os desafios para o ingresso no mercado de trabalho. Tal problemática persiste devido às exigências curriculares e à recessão econômica.

Em primeiro lugar, é importante destacar que as exigências profissionais feitas pelo mercado de trabalho estão distantes da realidade da maioria dos jovens brasileiros. A respeito disso, o filme sul-coreano, “Parasita”, relata a história de uma família desempregada, que apesar de talentosa não possui meios e influência para obter emprego, e consequentemente, se sustentar financeiramente. Semelhante ao cenário fictício, a juventude tupiniquim encontra-se separada das vagas de emprego, uma vez que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a probabilidade dos jovens sem experiência conseguir trabalhar é 64% menor que a dos jovens com currículo e experiência avançados. Isso constitui-se um problema, visto que os cursos profissionalizantes e os contatos com empreendedores são concentrados nas mãos dos adultos privilegiados, acarretando em desemprego e instabilidade da base popular.

Em segundo lugar, é evidente que a recessão econômica reduz as chances da conquista do primeiro emprego da juventude brasiliense. Acerca dessa premissa, desde a Era Vargas, principalmente no final dos anos 1930, a dívida pública externa do Brasil aumentava, isso somado às inúmeras crises  internacionais posteriores, colocaram o país em um nível de desemprego e instabilidade econômica alarmante, só melhorada após medidas reformadoras econômicas e políticas, como o Plano Real. Esse cenário é semelhante ao atual brasileiro, no qual é responsável pela diminuição de investimento externo nas regiões nacionais, logo, uma redução de oferta de empregos, sobretudo, à juventude inexperiente. Essa problemática precisa ser revertida para a criação de novos empregos.

Diante dos fatos supracitados, percebe-se que medidas interventivas são necessárias. Para tanto, é preciso que o Governo Federal, por meio do programa “Novos Caminhos”, aumente o número de vagas Ensino a Distância (EaD), para que mais jovens possam ser contemplados com os cursos profissionalizantes e superiores. Além disso, é necessário que esse programa governamental realize parcerias com empresas privadas, via benefícios fiscais e burocráticos, a fim de garantir a empregabilidade efetiva dos jovens. Dessa forma, o Brasil estará apto para prosseguir o caminho sem o empecilho