As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 22/08/2020

O filme norte-americano, exibido pela plataforma de streaming Netflix, Nosso Último Verão, retrata a história de um grupo de adolescentes, entre eles a personagem Audrey, a qual enfrenta inúmeras dificuldades na busca por seu primeiro emprego e acaba em um serviço abusivo. Fora das telas, o longa representa a história de diversos jovens brasileiros enfrentando diariamente uma luta para se inserirem no mercado de trabalho, muitas vezes, se submetendo à condições precárias para tal. Nesse cenário, é preciso avaliar os motivos desse acontecimento e as consequências dessa realidade.

Em primeiro momento, faz-se necessário entender quais as causas que corroboram para o aumento do desemprego entre jovens. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação, cerca de  cinquenta por cento das escolas públicas não possuem acesso à tecnologia, principalmente em zonas rurais, e consequentemente não investem em capacitação profissional. Assim, as exigências em relação ao primeiro emprego, associadas à falta de qualificação de muitos adolescentes, ratificam o cenário crítico no Brasil. Ademais, essa circunstância é ainda intensificada pela atual crise econômica reforçada pela pandemia que, diminui os níveis de consumo e as ofertas de emprego no país, desmotivando jovens e culminando em uma geração “nem nem - não estudam e nem trabalham”.

À vista disso, segundo dados fornecidos pelo IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o número de desempregados entre a idade de dezoito e vinte e quatro anos, no ano de 2016, apresentou um aumento de cerca de trinta por cento em relação ao ano anterior. Esse cenário apresenta consequências negativas, tanto para o país quanto para o jovem em questão. Dessa forma, este pode se sujeitar à condições informais e insalubres de trabalho; além de desenvolver transtornos psicológicos, tal como ansiedade e depressão devido à pressão institucionalizada. Para aquele as altas taxas de jovens inativos podem representar graves problemas econômicos, resultando em uma queda da população economicamente ativa (PEA).

Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem essa problemática. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Educação, investir no setor educacional, propondo uma melhoria na qualificação juvenil, através da formação tecnológica, bolsas de pesquisa e projetos de capacitação, a fim de solucionar as disparidades existentes, principalmente no meio rural, e incentivar a formação de profissionais ativos, rompendo com a ideia de uma geração “nem nem”. Outrossim, é papel das empresas privadas o oferecimento de oportunidades para esses jovens, oferecendo cursos e oficinas profissionalizantes, buscando incentivar o seu crescimento pessoal. Somente assim, poderá ser solucionado esse problema enfrentado pela personagem Audrey e diversos outros jovens.