As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 08/09/2020

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do pré-modernista Lima Barreto, o autor enfatiza, por meio do personagem principal, a visão de um Brasil sem defeitos. Todavia, em pleno século XXI, o país apresenta uma faceta contraditória e esse ideal, devido as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Desse modo, pode-se analisar a falta de experiência e ausência de oportunidade como causadoras da problemática.

Em síntese, é legítimo postular a falta de experiência que os adolescentes enfrentam na sociedade contemporânea. De acordo com a Lei da Aprendizagem, é obrigatório que as empresas cumpram determinadas cotas de contratação de jovens aprendizes. Desse modo, muitos setores menosprezam a lei aprovada para proporcionar a inclusão dos iniciantes ao considerar esse grupo como inexperiente ou seja, a ideia de que são incapazes ou irresponsáveis para realizar determinadas funções torna evidente o preconceito existente no meio laboral. Em suma, a inadequada forma que a geração mais jovem é vista no mercado de trabalho resulta no aumento do desemprego no país.

Ademais, outro fator é a ausência de oportunidade para os recém-formados demonstra a preferência de vários setores por funcionários com mais anos de carreira, impossibilitando a inserção dos jovens no âmbito profissional. Nesse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman na obra “Modernidade Líquida”, no mundo moderno ocorreu a substituição do coletivismo e da solidariedade pelo individualismo. Nesse contexto, a sociedade se preocupa mais com as vontades individuais e omitem os problemas de um grupo social, como denunciado por Bauman, e com isso o desemprego dos jovens é ignorado por empresários que se importam mais com o capital contribuindo para as desigualdades socioeconômicas. Em síntese, uma mudança na forma de ver a empregabilidade da juventude e os seus benefícios é essencial.

Sendo assim, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, que o Ministério do Trabalho, em parceria com o Ministério da Educação promovam investimentos em programas para combater o preconceito com a juventude no meio laboral, por intermédio de palestras e debates nos setores de trabalho, abordando a importância de incluir esse grupo no quadro de funcionários, visando mudar a realidade no mercado de forma positiva. Assim poder-se-á transformar o Brasil em um país sem defeitos, assim como disse Lima Barreto.